As Principais Tendências do Sector do Turismo
Do lado da Oferta:
- Internacionalização crescente das actividades, em particular, ao nível das cadeias hoteleiras, cujo centro de decisão se situa no país da respectiva sede, levando a que as ligações com as comunidades locais onde se implantam sejam relativamente reduzidas. Prevalece, contudo, a fragmentação da oferta a este nível.
- Alteração da estrutura de mercado, no sentido de uma maior concentração:
- Integração vertical de alguns subsectores, reflectindo-se em estratégias corporativas de alguns dos maiores players (muitos operadores turísticos estão a comprar agências de viagens, hotéis e linhas charter; várias companhias aéreas utilizam os seus voos charter para ganhar influência sobre operadores turísticos e agências de viagens);
- Integração horizontal de alguns subsectores, designadamente ao nível do subsector dos operadores turísticos (atingindo-se uma forte concentração mundial), do subsector das agências de viagens (para fazer face à crescente concorrência que se faz sentir entre elas, resultante do progressivo esvaziamento do seu papel na cadeia de valor), do subsector das companhias aéreas (via alianças estratégicas) e do subsector das unidades hoteleiras (quer através de fusões e aquisições, quer de alianças de natureza diversa).
- Integração vertical de alguns subsectores, reflectindo-se em estratégias corporativas de alguns dos maiores players (muitos operadores turísticos estão a comprar agências de viagens, hotéis e linhas charter; várias companhias aéreas utilizam os seus voos charter para ganhar influência sobre operadores turísticos e agências de viagens);
- Novas formas de distribuição (Internet) - a facilidade de aceder a informação sobre destinos e produtos através da Internet permite uma maior comparabilidade de preços e produtos, tornando o mercado mais competitivo e transparente.
- O factor marca será preponderante face ao factor localização - pelo facto da oferta ser cada vez mais alargada no mesmo local, prevê-se a inversão da tendência actual em que a localização dos hotéis é factor preponderante.
- Redução dos custos de transporte (sobretudo aéreo) pela eliminação de intermediários e pela existência de voos charter.
Do lado da Procura - Principais tendências
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Os segmentos de produtos/mercados que têm vindo a registar uma importância crescente são:
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No Cruzamento da Oferta com a Procura - Evolução Prevista dos Principais Segmentos:
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Relativamente aos Destinos - Principais Tendências:
A quota de mercado dos novos destinos turísticos (Médio Oriente, Ásia/Pacífico, Europa Central e de Leste, América Central e do Sul, África Subsahariana) tem vindo a aumentar de forma sustentada ao longo dos últimos vinte anos, enquanto que regiões com maior nível de maturidade na actividade, tais como a Europa Ocidental, a Europa do Sul e Mediterrâneo, a América do Norte e as Caraíbas, tendem a revelar taxas de crescimento menos dinâmicas.
Portugal registou uma evolução positiva entre 2005 e 2007 em matéria de chegadas internacionais de turistas. No entanto, a sua quota nas chegadas internacionais na Europa é maior do que a correspondente nas receitas de turismo na Europa, o que é indiciador de menores níveis de geração de valor acrescentado na actividade turística e de sofisticação do produto turístico em Portugal, ao contrário do que acontece em mercados tradicionalmente vistos como concorrentes do português no vector "sol e praia", nomeadamente em Espanha, Itália e Croácia.
| Chegadas Internacionais de Turistas (milhões) | Taxa Crescimento das Chegadas (%) | Quota Mercado das Chegadas Internacionais de Turistas (%), 2007 | ||||||||
| 1990 | 1995 | 2000 | 2005 | 2006 | 2007 | 06/05 | 07/06 | 07/90 | ||
| Mundo | 436 |
535,9 |
683,3 |
803,2 |
847,2 |
903,1 |
5,5 |
6,6 |
107,1 |
100 |
| Europa | 262,6 |
311,3 |
393,6 |
440,3 |
462,2 |
484,3 |
5,0 |
4,8 |
84,4 |
53,6 |
| Norte | 28,6 |
35,8 |
43,7 |
52,8 |
56,4 |
57,6 |
6,8 |
2,1 |
101,4 |
6,4 |
| Ocidental | 108,6 |
112,2 |
139,7 |
142,4 |
149,5 |
154,9 |
5,0 |
3,6 |
42,6 |
17,2 |
| Central/Leste | 31,5 |
60,6 |
69,4 |
87,8 |
91,5 |
95,6 |
4,2 |
4,5 |
203,5 |
10,6 |
| Sul/Med. | 93,9 |
102,7 |
140,8 |
157,3 |
164,3 |
176,2 |
4,8 |
6,9 |
87,6 |
19,5 |
| Ásia/Pacífico | 55,9 |
81,8 |
109,2 |
154,6 |
167 |
184,3 |
8,0 |
10,4 |
229,7 |
20,4 |
| Nord este | 26,4 |
41,3 |
58,3 |
87,5 |
94,3 |
104,2 |
7,8 |
10,5 |
294,7 |
11,5 |
| Sudoeste | 21,1 |
28,2 |
35,6 |
48,5 |
53,1 |
59,6 |
9,5 |
12,2 |
182,5 |
6,6 |
| Oceânia | 5,3 |
8,1 |
9,2 |
10,5 |
10,5 |
10,7 |
0,0 |
1,9 |
105,8 |
1,2 |
| Sul | 3,2 |
4,2 |
6,1 |
8,1 |
9,1 |
9,8 |
12,3 |
7,7 |
206,3 |
1,1 |
| América | 92,7 |
109 |
128,2 |
133,3 |
135,8 |
142,4 |
1,9 |
4,9 |
53,6 |
15,8 |
| Norte | 71,7 |
80,7 |
91,5 |
89,9 |
90,6 |
95,3 |
0,8 |
5,2 |
32,9 |
10,6 |
| Caraíbas | 11,4 |
14 |
17,1 |
18,8 |
19,4 |
19,5 |
3,2 |
0,5 |
71,1 |
2,2 |
| Central | 1,9 |
2,6 |
4,3 |
6,4 |
7,1 |
7,7 |
10,9 |
8,5 |
305,3 |
0,9 |
| Sul | 7,7 |
11,7 |
15,3 |
18,2 |
18,7 |
19,9 |
2,7 |
6,4 |
158,4 |
2,2 |
| África | 15,2 |
20,1 |
27,9 |
37,2 |
41,4 |
44,5 |
11,3 |
7,5 |
192,8 |
4,9 |
| Norte | 8,4 |
7,3 |
10,2 |
13,9 |
15,1 |
16,3 |
8,6 |
7,9 |
94,0 |
1,8 |
| Subsar | 6,8 |
12,8 |
17,7 |
23,3 |
26,3 |
28,2 |
12,9 |
7,2 |
314,7 |
3,1 |
| Méd Orient | 9,6 |
13,7 |
24,4 |
37,8 |
40,9 |
47,6 |
8,2 |
16,4 |
395,8 |
5,3 |
Portugal registou uma evolução positiva entre 2005 e 2007 em matéria de chegadas internacionais de turistas. No entanto, a sua quota nas chegadas internacionais na Europa é maior do que a correspondente nas receitas de turismo na Europa, o que é indiciador de menores níveis de geração de valor acrescentado na actividade turística e de sofisticação do produto turístico em Portugal, ao contrário do que acontece em mercados tradicionalmente vistos como concorrentes do português no vector "sol e praia", nomeadamente em Espanha, Itália e Croácia.
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- Espera-se que o volume de chegadas internacionais atinja mais de 1,56 mil milhões em 2020, de acordo com o "Turismo 2020 Vision", numa previsão e avaliação de longo prazo da OMT sobre o desenvolvimento do turismo ao longo dos 20 primeiros anos do novo milénio.
- Prevê-se que as três principais regiões receptoras de turistas venham a ser, em 2020, a Europa (717 milhões de turistas), a Ásia Oriental/Pacífico (397 milhões) e a América (282 milhões), seguidas de África, Médio Oriente e Ásia do Sul. Por outro lado, estima-se que a Ásia Oriental/Pacífico, a Ásia do Sul, o Médio Oriente e África venham a registar recordes de crescimento, com taxas médias anuais superiores a 5%, comparativamente com a média mundial de 4,1%. As regiões supostamente com maior nível de maturidade, Europa e América, poderão apresentar valores abaixo das taxas médias de crescimento mundiais.
- A Europa deverá manter a sua elevada quota a nível mundial no que se refere ao número de chegadas, prevendo-se, no entanto, uma queda dos 60%, registados em 1995, para 45%, em 2020. A OMT prevê ainda que, em 2010, a América venha a perder o segundo lugar para a região da Ásia Oriental/Pacífico, que irá receber 25% das chegadas mundiais em 2020, com a América a decair dos 19%, registados em 1995, para os 18%, em 2020.
- Deste modo, conclui-se que o turismo deverá apresentar taxas elevadas de crescimento no futuro, quer no que concerne a mercados tradicionais, como os EUA e a Europa, onde ainda existe um grande potencial de crescimento, quer relativamente a mercados emergentes, tais como a China, a Índia e os países do Golfo Pérsico.
- Conclui-se, assim, que, apesar da procura turística global estar a aumentar, o número de destinos e a capacidade global estão a crescer ainda mais rapidamente. Os países em desenvolvimento, em particular, enfrentam grandes desafios. Para conservarem a sua quota de mercado, os destinos mais desenvolvidos e mais dependentes do turismo terão que responder à concorrência, aumentando a qualidade e diversificando os seus produtos e mercados alvo, de forma a ajustar a oferta turística à crescente diversidade das necessidades e expectativas dos consumidores.
Expectativas:
- Aumento das viagens longas (proporcionado pela redução dos custos de transporte, devido à entrada no mercado das companhias low cost e à aposta das construtoras Boeing e Airbus em aviões de grande dimensão, permitindo a obtenção de economias de escala);
- Maior diversidade dos destinos turísticos (impulsionada pela capacidade de pesquisa e aquisição de serviços turísticos pelos próprios turistas);
- Aumento da procura turística (dado o aumento esperado de rendimento nos países emissores, a partir de 2010, e ao aumento das motivações para viajar);
- Aumento do nível de exigência por parte da procura;
- Aumento do grau de concentração do mercado.
A cadeia de valor tende a ficar cada vez mais integrada e dominada pelos clientes.




