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As Principais Tendências do Sector do Turismo
Do lado da Oferta:
  • Internacionalização crescente das actividades, em particular, ao nível das cadeias hoteleiras, cujo centro de decisão se situa no país da respectiva sede, levando a que as ligações com as comunidades locais onde se implantam sejam relativamente reduzidas. Prevalece, contudo, a fragmentação da oferta a este nível.

  • Alteração da estrutura de mercado, no sentido de uma maior concentração:

    • Integração vertical de alguns subsectores, reflectindo-se em estratégias corporativas de alguns dos maiores players (muitos operadores turísticos estão a comprar agências de viagens, hotéis e linhas charter; várias companhias aéreas utilizam os seus voos charter para ganhar influência sobre operadores turísticos e agências de viagens);

    • Integração horizontal de alguns subsectores, designadamente ao nível do subsector dos operadores turísticos (atingindo-se uma forte concentração mundial), do subsector das agências de viagens (para fazer face à crescente concorrência que se faz sentir entre elas, resultante do progressivo esvaziamento do seu papel na cadeia de valor), do subsector das companhias aéreas (via alianças estratégicas) e do subsector das unidades hoteleiras (quer através de fusões e aquisições, quer de alianças de natureza diversa).

  • Novas formas de distribuição (Internet) - a facilidade de aceder a informação sobre destinos e produtos através da Internet permite uma maior comparabilidade de preços e produtos, tornando o mercado mais competitivo e transparente.

  • O factor marca será preponderante face ao factor localização - pelo facto da oferta ser cada vez mais alargada no mesmo local, prevê-se a inversão da tendência actual em que a localização dos hotéis é factor preponderante.

  • Redução dos custos de transporte (sobretudo aéreo) pela eliminação de intermediários e pela existência de voos charter.
Do lado da Procura - Principais tendências
  • Envelhecimento da população

  • Aumento do rendimento disponível da população jovem

  • Aumento dos níveis médios de escolaridade

  • Menor tempo disponível para lazer por parte da população activa

  • Preferência por períodos de férias mais curtos e mais frequentes

  • Estabelecimentos de negócios a uma escala global

  • Maior e mais fácil acesso a informação, ganho de Importância da auto-organização

  • Maior interesse por questões histórico-culturais

  • Maior preocupação com a saúde, bem-estar e actividade físicos

  • Valorização da autenticidade e da vivência de experiências

  • Maior consciencialização dos problemas ambientais

  • Maior acessibilidade a destinos longínquos, em virtude da redução dos custos do transporte aéreo
Estas tendências observadas ao nível da procura conduzem à emergência e desenvolvimento de diversos segmentos turísticos (em resposta a novas motivações), o que se reflecte num leque muito mais variado em termos de oferta do que no passado.

Adicionalmente, esta procura mais diversificada permite contrariar a forte sazonalidade que tradicionalmente marcava o turismo, obtendo-se, portanto, níveis de eficiência superiores.
Os segmentos de produtos/mercados que têm vindo a registar uma importância crescente são:
  • o turismo sénior (impulsionado pelo envelhecimento da população; valoriza o conforto/descanso; está associado a um nível de despesa geralmente elevado e pode estar articulado com outros segmentos - turismo gastronómico e turismo de saúde);

  • o turismo de saúde (associado à crescente preocupação com a saúde e bem-estar físico, consubstanciando-se na actividade dos SPA, das termas, etc.);

  • o turismo júnior (muitas vezes associado ao turismo de aventura, ao eco-turismo ou ao turismo de eventos, no caso, por exemplo, dos espectáculos musicais; estará associado a um nível de despesa mais reduzido);

  • o turismo de eventos (cujo foco são os eventos culturais - espectáculos de música, exposições de arte, etc. - ou eventos desportivos, atraindo diferentes camadas da população, de acordo com as suas preferências no que respeita ao tipo de evento);

  • o turismo de negócios (estimulado, por um lado, pela globalização da actividade empresarial e, por outro lado, pela emergência de uma nova cultura empresarial; as viagens de turismo podem, por exemplo, fazer parte do pacote de recompensas das empresas ou constituírem um veículo privilegiado para o estabelecimento de negócios);

  • o turismo urbano, "city-breaks" (a crescente percepção do pouco tempo para lazer leva a que os turistas prefiram viajar mais vezes ao longo do ano, mas com estadias mais curtas, o que passa pela visita a cidades, explorando o seu património histórico/cultural);

  • o turismo religioso (associado à existência de destinos de culto, atraindo "ondas" de peregrinos e curiosos).
Deste modo, a tradicional motivação para o turismo, ou seja, o gozo de férias, privilegiando-se os segmentos sol/praia e montanha, começou a perder importância relativa.

Adicionalmente, o novo perfil de procura, com o inerente desenvolvimento de novos segmentos, coadjuvado pelo recurso a TIC, leva a que as viagens de turismo nem sempre sejam organizadas por uma entidade exógena ao turista, dando-se lugar à auto-organização (ex: turismo júnior).
No Cruzamento da Oferta com a Procura - Evolução Prevista dos Principais Segmentos:
Relativamente aos Destinos - Principais Tendências:
A quota de mercado dos novos destinos turísticos (Médio Oriente, Ásia/Pacífico, Europa Central e de Leste, América Central e do Sul, África Subsahariana) tem vindo a aumentar de forma sustentada ao longo dos últimos vinte anos, enquanto que regiões com maior nível de maturidade na actividade, tais como a Europa Ocidental, a Europa do Sul e Mediterrâneo, a América do Norte e as Caraíbas, tendem a revelar taxas de crescimento menos dinâmicas.

  Chegadas Internacionais de Turistas (milhões) Taxa Crescimento das Chegadas (%) Quota Mercado das Chegadas Internacionais de Turistas (%), 2007
1990 1995 2000 2005 2006 2007 06/05 07/06 07/90
Mundo
436
535,9
683,3
803,2
847,2
903,1
5,5
6,6
107,1
100
Europa
262,6
311,3
393,6
440,3
462,2
484,3
5,0
4,8
84,4
53,6
Norte
28,6
35,8
43,7
52,8
56,4
57,6
6,8
2,1
101,4
6,4
Ocidental
108,6
112,2
139,7
142,4
149,5
154,9
5,0
3,6
42,6
17,2
Central/Leste
31,5
60,6
69,4
87,8
91,5
95,6
4,2
4,5
203,5
10,6
Sul/Med.
93,9
102,7
140,8
157,3
164,3
176,2
4,8
6,9
87,6
19,5
Ásia/Pacífico
55,9
81,8
109,2
154,6
167
184,3
8,0
10,4
229,7
20,4
Nord este
26,4
41,3
58,3
87,5
94,3
104,2
7,8
10,5
294,7
11,5
Sudoeste
21,1
28,2
35,6
48,5
53,1
59,6
9,5
12,2
182,5
6,6
Oceânia
5,3
8,1
9,2
10,5
10,5
10,7
0,0
1,9
105,8
1,2
Sul
3,2
4,2
6,1
8,1
9,1
9,8
12,3
7,7
206,3
1,1
América
92,7
109
128,2
133,3
135,8
142,4
1,9
4,9
53,6
15,8
Norte
71,7
80,7
91,5
89,9
90,6
95,3
0,8
5,2
32,9
10,6
Caraíbas
11,4
14
17,1
18,8
19,4
19,5
3,2
0,5
71,1
2,2
Central
1,9
2,6
4,3
6,4
7,1
7,7
10,9
8,5
305,3
0,9
Sul
7,7
11,7
15,3
18,2
18,7
19,9
2,7
6,4
158,4
2,2
África
15,2
20,1
27,9
37,2
41,4
44,5
11,3
7,5
192,8
4,9
Norte
8,4
7,3
10,2
13,9
15,1
16,3
8,6
7,9
94,0
1,8
Subsar
6,8
12,8
17,7
23,3
26,3
28,2
12,9
7,2
314,7
3,1
Méd Orient
9,6
13,7
24,4
37,8
40,9
47,6
8,2
16,4
395,8
5,3

Portugal registou uma evolução positiva entre 2005 e 2007 em matéria de chegadas internacionais de turistas. No entanto, a sua quota nas chegadas internacionais na Europa é maior do que a correspondente nas receitas de turismo na Europa, o que é indiciador de menores níveis de geração de valor acrescentado na actividade turística e de sofisticação do produto turístico em Portugal, ao contrário do que acontece em mercados tradicionalmente vistos como concorrentes do português no vector "sol e praia", nomeadamente em Espanha, Itália e Croácia.



  • Espera-se que o volume de chegadas internacionais atinja mais de 1,56 mil milhões em 2020, de acordo com o "Turismo 2020 Vision", numa previsão e avaliação de longo prazo da OMT sobre o desenvolvimento do turismo ao longo dos 20 primeiros anos do novo milénio.

  • Prevê-se que as três principais regiões receptoras de turistas venham a ser, em 2020, a Europa (717 milhões de turistas), a Ásia Oriental/Pacífico (397 milhões) e a América (282 milhões), seguidas de África, Médio Oriente e Ásia do Sul. Por outro lado, estima-se que a Ásia Oriental/Pacífico, a Ásia do Sul, o Médio Oriente e África venham a registar recordes de crescimento, com taxas médias anuais superiores a 5%, comparativamente com a média mundial de 4,1%. As regiões supostamente com maior nível de maturidade, Europa e América, poderão apresentar valores abaixo das taxas médias de crescimento mundiais.

  • A Europa deverá manter a sua elevada quota a nível mundial no que se refere ao número de chegadas, prevendo-se, no entanto, uma queda dos 60%, registados em 1995, para 45%, em 2020. A OMT prevê ainda que, em 2010, a América venha a perder o segundo lugar para a região da Ásia Oriental/Pacífico, que irá receber 25% das chegadas mundiais em 2020, com a América a decair dos 19%, registados em 1995, para os 18%, em 2020.

  • Deste modo, conclui-se que o turismo deverá apresentar taxas elevadas de crescimento no futuro, quer no que concerne a mercados tradicionais, como os EUA e a Europa, onde ainda existe um grande potencial de crescimento, quer relativamente a mercados emergentes, tais como a China, a Índia e os países do Golfo Pérsico.

  • Conclui-se, assim, que, apesar da procura turística global estar a aumentar, o número de destinos e a capacidade global estão a crescer ainda mais rapidamente. Os países em desenvolvimento, em particular, enfrentam grandes desafios. Para conservarem a sua quota de mercado, os destinos mais desenvolvidos e mais dependentes do turismo terão que responder à concorrência, aumentando a qualidade e diversificando os seus produtos e mercados alvo, de forma a ajustar a oferta turística à crescente diversidade das necessidades e expectativas dos consumidores.
Expectativas:
  • Aumento das viagens longas (proporcionado pela redução dos custos de transporte, devido à entrada no mercado das companhias low cost e à aposta das construtoras Boeing e Airbus em aviões de grande dimensão, permitindo a obtenção de economias de escala);

  • Maior diversidade dos destinos turísticos (impulsionada pela capacidade de pesquisa e aquisição de serviços turísticos pelos próprios turistas);

  • Aumento da procura turística (dado o aumento esperado de rendimento nos países emissores, a partir de 2010, e ao aumento das motivações para viajar);

  • Aumento do nível de exigência por parte da procura;

  • Aumento do grau de concentração do mercado.

A cadeia de valor tende a ficar cada vez mais integrada e dominada pelos clientes.
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