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Análise SWOT do Desenvolvimento da Actividade Turística


Oportunidades:
  • Tornar-se um caso de estudo em Portugal de um território que consegue operacionalizar o equilíbrio entre a preservação dos recursos naturais e o seu usufruto/exploração económica (pela utilização de boas práticas/incorporação de actividades ligadas ao conhecimento científico e à cultura)

    • Conhecimento científico (geologia, arqueologia, biologia)

    • Cultura do mar, ruralidade histórica

  • Apostar na Economia do Mar como motor de desenvolvimento do concelho, baseada em dois pilares: o turismo e a pesca, devidamente articulados

  • Posicionar Sesimbra no cluster turístico de mar (actividades náuticas e mergulho)

  • Apostar nas sinergias com Palmela e Setúbal para criar massa crítica ao nível do turismo de natureza, touring cultural e paisagístico - aproveitando a continuidade territorial do PNA e do seu património arquitectónico, militar, religioso e civil - e do turismo rural (quintas e palácios rurais)

  • Elevação do patamar de diferenciação, notoriedade e qualidade da agenda cultural e de eventos do concelho, em articulação com Palmela e Setúbal, como forma de contrariar a dependência da Península de Setúbal face a Lisboa nesta área

  • Requalificação e desenvolvimento do comércio de proximidade e restauração (diferenciação dos produtos, melhoria da qualidade do serviço e design de interiores, vitrinismo) na vila de Sesimbra (em especial na Marginal) e no eixo Meco/Alfarim, com enfoque no escoamento de produtos locais de qualidade e no trato pessoal, como forma de reforçar e reposicionar a autenticidade de Sesimbra e a qualidade da oferta de serviços (o segmento de procura associado à 2.ª habitação é propício ao desenvolvimento desta estratégia)

  • Desenvolvimento de marcas locais (p.e., Peixe de Sesimbra) e Certificação: de produtos do mar, de produtos da terra, de serviços de restauração e comércio e da gestão de património histórico-cultural

  • Capitalizar a marca "Meco", muito associada ao conceito alternativo e natural, tanto pela via de produção de eventos, como pela via de oferta de produtos naturais e saudáveis (em mercados e lojas especializadas) com enfoque na diferenciação

  • Reabilitação e dinamização de edificações degradadas ou desprovidas de uso, frequentemente ligadas à Cultura do Mar, para criar uma rede de alojamento integrada na natureza, adaptada ao turismo de natureza/turismo científico, e locais de interpretação do património natural/cultural ou de divulgação científica
Ameaças

  • Descaracterização, associada à perda de importância da actividade piscatória, à indiferenciação do comércio, restauração e alojamento (a autenticidade é um dos trunfos que pode diferenciar Sesimbra de territórios concorrentes)

  • Falta de diversificação e dinamismo da actividade económica

  • Tendência de despovoamento da Vila de Sesimbra (em contraste com o forte crescimento populacional da freguesia de Quinta do Conde) e desequilíbrio regional interno em termos de desenvolvimento turístico

  • Pressão dos fluxos sazonais turísticos, pressão construtiva e especulação imobiliária

  • Propriedade de alguns recursos patrimoniais com uma lógica contrária ao investimento

  • Tamanho reduzido do porto de Sesimbra dificulta a conciliação de interesses entre a actividade piscatória e actividades turísticas ligadas ao mar (ambas com um papel fulcral no desenvolvimento sustentável do concelho)

  • Forte concorrência de destinos com oferta mais diversificada (componente histórico-cultural: Cascais, Sintra), com menor densidade construtiva/melhores infra-estruturas hoteleiras e de apoio à realização de actividades turísticas (turismo de natureza e turismo náutico) e capacidade de marketing: Comporta/Tróia, Costa Vicentina

  • Menor enquadramento do concelho no QREN


Pontos fortes
  • Existência de recursos turísticos fortes, em especial os ligados a áreas protegidas (geologia/flora e fauna terrestre/marinha) e ao binómio paisagem/património

  • Conjugação Serra e Mar

  • Costa atlântica virada a sul e resguardada

  • Praias

  • Tranquilidade da paisagem rural e do horizonte marítimo

  • Autenticidade da vila de Sesimbra associada à actividade piscatória

  • Elevada qualidade do pescado e tradição da comunidade piscatória preservada

  • Gastronomia

  • Notoriedade da marca Meco e do Carnaval de Sesimbra, enquanto Land Marks

  • Grande progresso efectuado nos últimos anos ao nível da programação cultural com nível de diferenciação e qualidade e da investigação arqueológica, factores importantes para a gestão activa do património, para a animação turística e enriquecimento dos produtos turísticos

  • Tendência crescente (a incentivar) para a captação de fluxos de turistas/visitantes interessados em actividades que contribuem para a redução da sazonalidade do turismo: p.e., Produtos MI (Meetings & Incentives), Golfe (ligação da hotelaria local com os campos regionais de golfe), Actividades Náuticas e Mergulho

  • Proximidade de importantes vias de acesso rodoviário, do novo aeroporto de Lisboa e da capital

  • Qualidade reconhecida de algumas unidades hoteleiras e de restauração

  • Horários alargados praticados pelos postos de turismo e pelas lojas de comércio de rua

  • Cooperação institucional entre a CMS e os diferentes actores locais do sector (individuais ou organizados), destacando-se o papel activo do TuriFórum

  • Sensibilidade da população residente e das instituições locais e regionais para eleger o Turismo como um factor de desenvolvimento importante



Pontos fracos

  • Principal recurso turístico (sol e praia) de natureza sazonal, desencorajador da iniciativa empresarial (forte oscilação temporal de receitas) e originador de forte pressão sobre acessibilidades e infra-estruturas

  • Restantes produtos turísticos, não-sazonais e associados a um padrão diferenciado de turismo, ainda pouco desenvolvidos (escassez de infra-estruturas e sub-valorização de recursos) - p.e., turismo náutico, mergulho, espeleologia, turismo de eventos

  • Insuficiente aproveitamento turístico de factores que consagram a genuinidade de Sesimbra (cultura do mar, ruralidade histórica)

  • O concelho não possui monumentalidade patrimonial histórica edificada ou um marco cultural associado a uma personalidade que, por si só, possa constituir um produto turístico (embora a dinamização do património através de eventos possa constituir uma atracção turística)

  • Imagem associada ao turismo de Sesimbra (pobre e pouco competitiva)

  • Acessibilidades rodoviárias externas e internas, inadequação visual dos acessos a Sesimbra na zona de Fernão Ferro, entrada da vila, falta de estacionamento e desordenamento urbanístico penalizadores da qualidade da imagem turística de Sesimbra - factores de desincentivo de uma procura qualificada, agravados pela pressão turística sazonal e especulação imobiliária

  • Hipoteca de terrenos nobres da frente ribeirinha da vila e de usos turísticos alternativos por parte do modelo de apartamentos turísticos, com impactes negativos sobre a paisagem e imagem turística da vila

  • Carência de alojamentos e infra-estruturas adaptados aos segmentos de turismo de natureza e científico

  • Insuficiências ao nível da limpeza (bermas das estradas, pinhais) e saneamento com "manchas" graves nos recursos turísticos ligados à preservação da natureza

  • Inexistência de uma gestão activa efectiva por parte do PNA:

    • Fiscalização de condutas/actividades impróprias, em especial ao fim de semana

    • Sinalética turística deficiente (escassez/ falta de renovação de painéis informativos sobre a fauna e flora locais, bem como da morfologia e geologia do concelho, em pontos de paragem e contemplação da paisagem e deficiente sinalização de percursos pedestres) e falta de material de divulgação do PNA

    • Falta de dinamização das infra-estruturas existentes (p.e., Parque do Alambre, nos limites do concelho)

  • Relação hostil da população local relativamente ao Parque Natural da Arrábida (pela cultura da proibição/ negação associada à gestão de áreas protegidas)

  • Número minoritário de estabelecimentos de comércio, restauração e hotelaria apresenta padrões de diferenciação superiores (qualidade do serviço, design) e recursos humanos qualificados

  • Escassez de recursos financeiros dos micro operadores turísticos locais, fraca receptividade a propostas de qualificação (dos estabelecimentos e serviços prestados) e falta de espírito de cooperação

  • Fraqueza do marketing da oferta turística de Sesimbra: oferta de produtos turísticos ainda não estruturada (aproveitamento turístico dos recursos ainda é fraco, p.e., no caso do Parque Natural da Arrábida, existindo falta de sinergias entre os diferentes recursos turísticos), não se apresentando no mercado com propostas vendáveis capazes de motivar operadores turísticos

  • Falta de articulação com os territórios vizinhos na exploração de sinergias ao nível da estruturação da oferta turística


Desafios estratégicos
  • Estruturação, organização e planificação da oferta de produtos turísticos e qualificação da oferta (composição de pacotes turísticos vendáveis explorando as sinergias entre os diferentes recursos turísticos e elaboração de percursos temáticos)

  • Aposta forte no desenvolvimento de novos segmentos de mercado mais qualificados e exigentes, dispostos a disponibilizar meios financeiros mais avultados e associados a um turismo não sazonal

  • Combinar o interesse científico e didáctico da extensa área costeira e serrana de Sesimbra sujeita a classificação (geologia, arqueologia, biologia)

  • Necessidade de maior abertura do PNA à comunidade, com reflexos positivos na imagem do mesmo

  • Apostar em projectos turísticos de maior dimensão que visem promover o turismo residencial diferenciado e de excelência, nos planos doméstico e, sobretudo, internacional, no concelho de Sesimbra, através, designadamente, de uma sua concretização progressiva e sustentável

  • Privilegiar, nas opções de investimento e decisões de licenciamento, certos segmentos turísticos e tipologias de alojamento que possam contribuir para:

    • a preservação da paisagem e do património natural e cultural

    • a focalização da oferta turística em segmentos efectivamente diferenciadores

    • a produção de efeitos de arrastamento sobre o desenvolvimento de actividades económicas do concelho

    • a exploração de sinergias entre diferentes segmentos turísticos

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