25 DE ABRIL: Inauguração da Moagem de Sampaio
O edifício, onde funcionou muitos anos a Moagem de Sampaio, foi construído no início do século XX, e é um marco da evolução industrial e tecnológica do concelho e da sua ruralidade. Depois de ter deixado de funcionar, na década de 90, foi adquirido pela Câmara Municipal, que nos últimos anos, com apoio da Associação de Desenvolvimento Regional da Península de Setúbal, conseguiu reunir as condições necessárias à sua recuperação.
O novo espaço cultural vai dar a conhecer a história do edifício, os rostos de quem lá trabalhou e as suas ferramentas, o circuito de funcionamento da unidade, a riqueza rural do concelho nos anos 30.
A cerimónia, incluída nas comemorações do 25 de Abril no concelho, contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, Augusto Pólvora, vereadores, do presidente da Junta de Freguesia do Castelo e de várias entidades locais e regionais, envolvidas no processo de recuperação.
Na sua intervenção, Augusto Pólvora começou por agradecer a todos os que permitiram que esta obra se concretizasse. «Quero destacar o apoio da ADREPES, que foi fundamental, e aos técnicos dos serviços de cultura, projetos, logística e obras, que se empenharam nestes trabalhos, e sobretudo ao Rui Costa Marques, da Divisão de Cultura, o grande entusiasta desta recuperação», afirmou.
O presidente da Câmara Municipal salientou também o papel do senhor Arménio, um carpinteiro local, que recuperou grande parte das estruturas, de Francisco Moura, maquinista da Fábrica da Pólvora de Vale de Milhaços, que conseguiu colocar em funcionamento o motor original desta moagem, um engenho com mais de um século que esteve vários anos exposto na Escola de Sampaio, e de vários moleiros e profissionais da moagem que ajudaram a recuperar todo o ambiente da Moagem.
História da Moagem de Sampaio
Há 95 anos começava a laborar no concelho de Sesimbra a primeira moagem de cereais motorizada. A unidade, da firma Morujão & Lourinha, situava-se em Sampaio, numa antiga cavalariça, junto à Quinta de Sampaio, um dos principais centros agrícolas da altura.
Até meados do século XX, a Moagem viveu um período próspero, com a farinha que produzia, a partir do trigo, milho e centeio, a abastecer padarias da região.
Em 1948, a atividade chega a alargar-se à moagem e torrefação de café. Até à década de 70, os resultados foram sendo positivos, e nessa altura instalam-se dois motores elétricos que substituíram o primeiro motor a gasogénio, da marca Hornsby-Stockport.
A partir da década de 80, contudo, a produção começa a decair e no início da década de 90 a Moagem de Sampaio, nome pelo qual ficou conhecida, acaba por cessar atividade.
O edifício branco, de planta retangular, com portas e janelas vermelhas, manteve-se como uma marca dos tempos áureos da ruralidade no concelho e da sua evolução industrial e tecnológica, acabando por ser adquirido pela Câmara Municipal de Sesimbra.
Depois de alguns anos sem qualquer função, em que muitas das estruturas se foram degradando, começou a ser recuperado em 2008.
Os trabalhos rondaram os 160 mil euros, comparticipados em 60 por cento pelo Programa de Desenvolvimento Rural, ao abrigo de uma candidatura apresentada pela Câmara Municipal à Associação para o Desenvolvimento Rural da Península de Setúbal, e incluíram a substituição da estrutura da cobertura e do primeiro piso, a colocação de novo soalho, o isolamento térmico e acústico, a reparação da alvenaria, a instalação das redes de águas, saneamento, eletricidade e iluminação e a implementação dos suportes museográficos.
O projeto, que também envolveu a comunidade, permitiu aproveitar a maioria dos equipamentos e mecanismos originais e reintegrar na estrutura o primeiro motor da moagem, que tinha estado vários anos ao ar livre, na Escola Secundária de Sampaio.