Arte Xávega
Os meses de Verão, por serem usualmente períodos do ano em que a agitação marítima é menos frequente, eram propícios ao uso de uma das mais tradicionais artes de pesca que se podiam encontrar nas praias do concelho: a Arte Xávega.
Esta tradição milenar (do árabe "xabakâ", significando "rede de pesca") foi utilizada em toda a costa portuguesa e antecipou-se a muitas outras que lhe sobrevieram. Na vila de Sesimbra era conhecida por “Artes do Caneiro”, por terem sido tradicionalmente usadas na zona da baía com esse nome, cujo fundo arenoso lhe era favorável e permitia o arrasto sem que as redes ficassem presas no fundo. Na praia do Moinho de Baixo, zona do Meco, a Xávega tinha maior expressão, mantendo-se viva na memória pela atividade de pessoas que viam nesta arte de pesca uma fonte de sustento complementar.
A Xávega podia assumir duas modalidades: de arrastar para terra ou de arrastar para bordo. Na primeira, o barco que transportava a rede saía de um local específico na praia, onde ficava fixo um dos cabos da rede e, num movimento circular, deixa-a ao largo, trazendo então para terra o outro cabo.
Na segunda, as redes eram aladas para dentro dos barcos que as levavam para o mar. Apesar de todo o trabalho envolvido, o sistema de pesca era simples. A Xávega possuía um saco de rede, cuja boca se prolongava para um e outro lado, ao longo de extensas mangas ou alares de rede, diminuindo a sua altura para as extremidades cujo comprimento era, em média, seis vezes o comprimento total do saco. Os cabos de alagem eram amarrados no extremo destas mangas. Uma vez largada, a rede assentava no fundo, mantendo a sua verticalidade mediante boias e pesos de chumbo, conservando-se assim aberta a boca do saco.
Este tipo de pesca preservou durante décadas uma particularidade que tem a sua origem num costume antigo. A companha de pesca aceitava sempre a ajuda de qualquer pessoa. E tinham direito ao respetivo quinhão em peixe.