Apresentação da candidatura da Arrábida a Reserva da Biosfera
O Forte de São Filipe, em Setúbal, recebeu, no dia 17 de junho, a conferência de imprensa que assinalou a apresentação da candidatura da Arrábida a Reserva da Biosfera da UNESCO. A candidatura foi submetida ao Comité Português para o Programa MAB (O Homem e a Biosfera), e irá ser entregue no final do verão, na sede da Unesco, em Paris. A decisão será conhecida em setembro de 2025, em cerimónia a realizar na China.
A conferência de imprensa contou com a presença dos presidentes das câmaras municipais de Sesimbra, Setúbal e Palmela, Francisco Jesus, André Martins e Álvaro Amaro, respetivamente, e de Nuno Banza, presidente do Conselho Diretivo do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), que sublinharam a importância desta candidatura para a região.
«A certificação internacional como reserva da Biosfera, que esperamos venha a ser aprovada, será uma mais-valia para todo este território de valores excecionais, e é mais um instrumento que pretende compatibilizar a atividade humana com os valores naturais, aliando as expetativas das populações à sustentabilidade ambiental», sublinhou o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Francisco Jesus.
O autarca referiu ainda que o trabalho desenvolvido em todo o processo de candidatura, que envolveu várias entidades e técnicos «não acrescenta nem retira restrições face ao que já está consagrado nos vários instrumentos de gestão territorial em vigor, mas representa antes, aquilo que pretendemos para este território de valores excecionais, e que está identificado como um grande ativo económico e turístico desta região, porque não queremos que seja adulterado face àquilo que existe».
A compatibilização entre natureza e as atividades foi igualmente sublinhada pelo presidente da Câmara de Setúbal, André Martins, e que é, simultaneamente, presidente do Conselho Diretivo da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS).
«Esta candidatura espelha uma visão integrada para o desenvolvimento deste território, harmonizando as atividades humanas com a conservação da natureza e os valores maiores aqui identificados, porque temos a obrigação de defender este território», disse, destacando o trabalho da Comissão Técnica, autarquias e ICNF. «Conseguimos chegar a este ponto graças ao esforço e empenho de todos os que estiveram envolvidos. Esperamos que a partir de agora, os que têm em mãos este processo, o façam com o empenho que todos nós tivemos», frisou.
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de Palmela, Álvaro Amaro, destacou o que esta candidatura pode representar para a região. «Este processo a garante-nos projeção e acrescenta valor à marca indelével, peculiar e fantástica, que é a Arrábida, saudando o papel de todos os que participaram no processo , incluindo os agentes que operam no território. Álvaro Amaro destacou ainda o mérito da AMRS «na medida em que o objetivo desta candidatura constitui uma ação estratégica do projeto de desenvolvimento que temos para a região».
Em representação do ICNF, o presidente do Conselho Diretivo, Nuno Banza, referiu que «o processo de candidatura à Biosfera é um extraordinário exemplo de como é possível congregar um conjunto de vontades para um objetivo comum», e que o seu reconhecimento que se espera ver confirmado, «reforça a imagem do espaço Arrábida como uma marca de qualidade e de valor, que é no fundo aquilo que todos nós procuramos e, ao mesmo tempo, dá-lhe maior visibilidade internacional, integrando-a numa rede de contactos e intercâmbio com áreas congéneres de outros países. Era, portanto, uma obrigação do ICNF estar ao lado das autarquias, mas também apoiar e participar ativamente neste processo», concluiu.
A candidatura da Arrábida a Reserva da Biosfera é promovida por uma comissão executiva que envolve os três municípios do Território Arrábida (Sesimbra, Palmela e Setúbal), o ICNF e a AMRS, em estreita articulação com a Comissão Nacional da Unesco e o Comité Português para o programa científico MAB (O Homem e a Biosfera), lançado em 1971 pela Unesco, e representa mais um passo para a preservação, valorização e promoção do património único que é a Serra da Arrábida.
De referir que a construção desta candidatura iniciou-se em 2016, com a assinatura do protocolo entre a Associação de Municípios da Região de Setúbal, as câmaras municipais de Sesimbra, Setúbal e Palmela, e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. O processo englobou três sessões de auscultação pública, realizadas no final de maio de 2024, nos três municípios.