Apresentação do livro Tombo da Vila de Sesimbra – O Legado
O Cineteatro Municipal João Mota acolheu, no dia 11 de maio, a cerimónia de lançamento do livro do Tombo da Vila de Sesimbra – O Legado, uma fonte histórica inédita muito valiosa que oferece uma visão detalhada da história e memória do concelho de Sesimbra, no horizonte temporal do século XIII-XVI. A obra é apresentada em dois volumes ricamente ilustrados e documentados.
O acontecimento reuniu um vasto conjunto de individualidades, nomeadamente eleitos locais, vários investigadores, alguns dos quais com artigos publicados nesta obra, representantes de diversas entidades e entusiastas da história regional e local, o que demonstra o interesse despertado pela iniciativa.
A importância deste documento, fonte de informação histórica fundamental para compreender e dar a conhecer a vida de Sesimbra na época medieval foi, aliás, sublinhada por vários oradores na apresentação da obra.
«O dia de hoje é particularmente feliz porque chegámos ao fim desta epopeia de 16 anos, que mediaram desde o início deste trabalho, até hoje, que Mas é igualmente um dia único e extraordinário para a vila e para o concelho de Sesimbra, porque acabámos também por fazer um pouco de história, na medida em que foi possível preservar um uma obra única e torná-la acessível a todos os que se interessem por conhecer a génese deste concelho, deste território, e as relações de uma relevância extrema com os municípios vizinhos», referiu o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Francisco Jesus.
O autarca agradeceu a todos os que colaboraram nesta edição, que é mais um exemplo, do investimento que a Câmara Municipal de Sesimbra tem vindo a fazer na preservação e divulgação do património do concelho.
«Temos tido um grande trabalho grande de olhar para aquilo que é o nosso património, material, mas também imaterial, que são os alicerces da nossa história, cultura e identidade», afirmou, reafirmando que «Sesimbra está na linha da frente na preservação do património, porque a cultura é sempre uma prioridade».
Por sua vez, Fernanda Rodrigues, Chefe de Divisão do Arquivo Municipal de Sesimbra sublinhou que o Tombo da Vila de Sesimbra «é um documento com 590 anos e é muito importante para Sesimbra, porque faz uma radiografia do cocnelho de Sesimbra na altura, apesar de estar num estado de degradação muito avançada. Conseguimos ».
Para além da importância para o conhecimento de Sesimbra na época medieval, a valia do Tombo da Vila de Sesimbra vai, no entanto, para além dos limites do concelho, como referiu a responsável pelo Arquivo Municipal.
«Com esta publicação conseguimos fazer uma radiografia do cocnleho de Sesimbra, porque regista as nossas tradições, cultura, história, património, imposto, portagens, relações entre classes sociais da época e até com os municípios do Distrito de Setúbal. E, por esta razão, é importante para a história regional e nacional porque reune informação do século XII ao século XVI, que os outros concelhos não têm», vincou, concluindo que o Tombo da Vila de Sesimbra «é um documento há muito desejado comunidade científica».
Na sessão de lançamento interveio ainda Anabela Ribeiro, do Gabinete de Restauro e Conservação e Restauro do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, que destacou a qualidade da obra editada pela Câmara Municipal de Sesimbra, com a participação de vários colaboradores.
«Parabéns por terem conseguido contratar este conjunto de especialistas, porque este é um trabalho muito exigente», disse, acrescentando que «é com muito investimento que conseguimos salvaguardar o património e reafirmar a identidade dos povos».
Anabela Ribeiro lançou ainda o desafio à autarquia, no sentido de aderir à Rede Portuguesa de Arquivos, «para dar maior visibilidade ao trabalho que Sesimbra tem feito nesta matéria».
Por sua vez, Fernanda Olival, diretora do Centro Interdisciplinar de História, Cultura e Sociedades, referiu que «a Câmara Municipal de Sesimbra é pioneira no interesse pelos Tombos», e que o Tombo da Vila de Sesimbra «é um excelente contributo para o conhecimento da história desta região», concluindo que o projeto «não acaba aqui porque a nossa ideia é fazer um e-book para o tornar acessível em formato digital, e assim permitir uma maior consulta».
A valia deste documento foi ainda sublinhada por José Polido, vereador do Pelouro das Finanças da Câmara Municipal de Sesimbra.
"O Tombo da Vila de Sesimbra é um dos documentos mais valiosos para a identidade e cultura de Sesimbra. Apesar das vicissitudes causadas pela pandemia conseguimos concretizar este projeto que é mais um exemplo do forte investimento da autarquia na preservação do património ".
O Tombo Velho da Vila de Sesimbra de 16 de novembro de 1434 é composto por dezenas de documentos, integrados em 125 fólios, escritos em pergaminho, em tinta ferrogálica e capeamento de pele de couro, constituindo um verdadeiro “monumento documental”, nas palavras do medievalista José Augusto Oliveira. Este códice, fazendo uso do seu significado de arquivo, e símbolo da identidade municipal, contém registos de bens, com valor excecional concelhio, quer pelo seu valor histórico, artístico, paisagístico ou simbólico, onde constam informações a respeito do funcionamento da comunidade, designadamente, impostos, aplicação da justiça, portagens, identificação das terras de pão, arrendamentos, pesca, e o relacionamento com os concelhos vizinhos, e o complexo equilíbrio entre o poder concelhio, régio e eclesiástico. Esta obra é uma leitura essencial para historiadores, pesquisadores, residentes locais e entusiastas da história regional e local.
Refira-se que o lançamento do Tombo da Vila de Sesimbra – O Legado, foi precedido de uma visita guiada ao Castelo de Sesimbra, monumento nacional com a presença de Rui Mesquita Mendes, historiador, investigador e colaborador do ARTIS – Instituto de História de Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e do «Grupo de Estudos de Lisboa» da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, e de João Costa, investigador integrado no Centro de Humanidades e no Centro de Estudos Históricos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa.