Colóquio sobre período medieval islâmico e cristão encerra em Sesimbra
O Cineteatro Municipal acolheu, no dia 21 de maio, o encerramento do colóquio internacional Da Conquista de Lisboa à Conquista de Alcácer – Definições e Dinâmicas de um Território de Fronteira. A iniciativa, que decorreu durante três dias nos municípios de Palmela, Alcácer do Sal e Sesimbra numa parceria com três universidades (Lisboa, Nova de Lisboa e Évora), juntou vários especialistas em História, investigadores e professores universitários.
No último dia do colóquio, a vice-presidente da Câmara Municipal, Felícia Costa, lembrou a importância destes encontros. «Esta ligação entre as academias e as autarquias é fundamental porque só assim podemos unir sinergias e desenvolver um trabalho credível e de qualidade», realçou.
A autarca destacou ainda os investimentos que têm sido realizados no município, e que são resultado da troca e na partilha de conhecimentos com as universidades. «Sesimbra tem aspetos arqueológicos, históricos e patrimoniais riquíssimos e essa história tem sido possível contar e promover através da parceria que estabelecemos com algumas faculdades. As recuperações da Casa da Água do Cabo Espichel, Casa do Bispo ou da Fortaleza são exemplos». A vice-presidente finalizou desejando a todos um bom trabalho. «Espero que aproveitam ao máximo este encontro e que regressem como turistas para usufruírem ainda mais do melhor que Sesimbra tem para oferecer».
Seguiram-se várias comunicações sobre a passagem do VIII centenário da conquista de Alcácer do Sal, o 870.º aniversário da conquista de Lisboa pelas forças portuguesas e cruzadas e novas análises e estudos sobre a ocupação da região, que se propõem repensar a realidade dos períodos medieval islâmico e medieval cristão peninsular.
Maria Antónia Martinez Núnez, da Universidade de Málaga, fez a sua apresentação sobre a placa epigráfica árabe descoberta, em maio de 2009, numa gruta na Serra da Azoia, em Sesimbra. Para a professora universitária foi um prazer debruçar-se no estudo desta placa. «Agradeço por me terem permitido ver e analisar este pedaço da história, e espero que os meus conhecimentos possam ser benéficos para o vosso concelho e para que possam entender melhor o vosso território», começou por dizer.
Depois de uma breve explicação com uma descrição, análise, leitura e tradução da placa e da grafia árabe, a docente esclareceu que «é única na Península Ibérica e remeto-a para o século XI», adiantou. «Na minha opinião foi escrita por um grupo de muçulmanos que se sentiu hostilizado pela ocupação cristã e guardá-la numa gruta foi a forma que encontraram para a tornar inacessível aos não crentes», concluiu.
A docente Maria João Branco, do Instituto de Estudos Medievais da Universidade de Lisboa, e membro da organização, agradeceu a disponibilidade e a hospitalidade da autarquia de Sesimbra, e no final, deixou o convite aos participantes para que voltem ao concelho «para desfrutar e descobrir mais sobre Sesimbra que, como já viram, é muito mais para além de sol e praia».
O colóquio terminou com uma visita ao Museu Marítimo de Sesimbra, ao Castelo e ao Santuário do Cabo Espichel.