COMEMORAÇÕES: Dia do Pescador
A entrega de distinções aos pescadores que se destacaram no último ano, durante a qual o presidente da Câmara Municipal anunciou a criação de um conselho consultivo que reúna regularmente para tratar questões ligadas à pesca, foi, mais uma vez, o ponto alto das comemorações do Dia do Pescador, em Sesimbra, que este ano se iniciaram no Meco com a inauguração de uma escultura dedicada à Arte Xávega.
03 de Junho de 2014
Do programa fizeram ainda parte a visita à empresa Doca Marinha, uma caldeirada com a comunidade piscatória, no refeitório da autarquia, a apresentação dos trabalhos do projeto Sesimbra é Peixe e Arte na Rua, a deposição de uma coroa de flores junto ao Monumento ao Pescador, uma demonstração de Arte Xávega, em Sesimbra, e a Missa em homenagem aos pescadores.
Homenagem à Xávega do Meco
As comemorações do Dia do Pescador em Sesimbra tiveram início na Praia do Meco, com a inauguração de uma escultura que homenageia os pescadores da Xávega do Meco. «Normalmente, concentramos o programa na vila de Sesimbra, porque é onde se encontra a maior parte da comunidade piscatória, mas também é bom não esquecer que neste lado do concelho também existem pescadores», referiu o presidente da autarquia, Augusto Pólvora, momentos antes de inauguração da escultura.
«Nas décadas de 60 e 70, centenas de habitantes da freguesia do Castelo eram agricultores no inverno e pescadores no verão», lembrou. O presidente da Câmara Municipal expressou ainda o desejo de que esta atividade se mantenha por muitos mais anos. «Espero que consigam captar os jovens e continuem a desenvolver esta arte, que já não é só pesca, mas também um cartaz turístico e por isso mesmo é importante que perdure».
A continuação da Arte Xávega é uma preocupação diária dos últimos pescadores do Meco. «Quando deixarmos de poder ir ao mar isto acaba, porque as gerações mais novas não querem», revelou Rogério Neves, 66 anos, proprietário do barco José e Pedro, uma das duas embarcações que ainda resistem.
Outra questão que tem deixado os pescadores do Meco desanimados é a falta de espaço na praia para conseguirem realizar a pesca, que só pode ocorrer quando o mar o permite, entre as 19 e as 10 horas.
«Estamos a ser cada vez mais apertados, por isso gostávamos que houvesse uma chamada de atenção para que tivessem a nossa atividade em conta e se organizasse melhor o espaço para podermos passar com os tratores», alertou João Coelho, 63 anos, proprietário do barco Novo Esperança.
Para Carlos Bajouca, autor da escultura Arte Xávega, assistir a todo o ritual da pesca na praia foi um dos motivos que o deixou apaixonado pelo Meco logo desde o primeiro dia que o visitou. «Um grande obrigado pelo convite porque é um encanto viver aqui há mais de 30 anos e ter uma peça minha aqui nesta praia, que tanto amo», confessou.
Segundo o artista, «é uma peça simbólica, muito simples, em que a pedra central simboliza a força do mar, as redes a pesca e o barco e os remos são uma caraterística da Arte Xávega, que é feita não a motor mas com a força do homem», explicou.
Visita à Doca Marinha
Seguiu-se uma visita ao edifício da empresa Doca Marinha, no Zambujal, uma nova unidade de congelação e pescado no valor de 1,6 milhões de euros, que entrou em funcionamento no final de 2012.
Carlos Veríssimo, proprietário da empresa e ligado ao comércio de produtos da pesca há cerca de 20 anos, deu a conhecer o funcionamento da unidade, equipada com câmaras de conservação de frescos e congelados, túnel de congelação em salmoura e máquina de congelação em armários, que permitem armazenar cerca de 500 toneladas de pescado.
Para Carlos Veríssimo, a construção do edifício foi e continua a ser a concretização de um sonho. «Apesar das dificuldades é preciso andar para a frente e ter força de vontade», confessou, justificando o crescimento que a empresa teve nos últimos anos. Em 2011, a Doca Marinha foi considerada a sexta empresa mais importante do concelho em volume de negócios.
Entrega de Distinções
A entrega de distinções aos pescadores que se destacaram no ano anterior, na Sociedade Musical Sesimbrense, foi, mais uma vez, o ponto alto deste dia dedicado aos homens do mar. «Esta comemoração tem uma importância crescente pois permite, não só homenagear e felicitar os que tiveram melhores resultados, mas também fazer um balanço sobre o estado da atividade», referiu o presidente da Câmara Municipal, Augusto Pólvora, que aproveitou o momento para apresentar alguns dados sobre a pesca no concelho. «Sesimbra já teve 3 mil pescadores registados.
Em 2012 esse número foi de 548, o mais baixo de sempre, e no último ano assistimos a um acréscimo, para 579», adiantou. Entre os mais jovens (16-34 anos), houve também um aumento de 70 em 2010 para 85 em 2013.
Augusto Pólvora destacou o desempenho do Porto de Sesimbra, que nos últimos anos se tem afirmado como um dos mais importantes a nível nacional. «Temos o segundo lugar em valor comercial e o primeiro em quantidade de pescado descarregado em lota», salientou.
Os investimentos privados ligados à pesca foram também lembrados, sobretudo na área da congelação, com o alargamento das instalações da Artesanal Pesca e o surgimento da Doca Marinha. «Estes investimentos permitiram criar emprego e aumentar a capacidade ao nível de congelação em 20 mil toneladas, 5 a 6 mil na Doca Marinha e 15 mil na Artesanal», disse.
«Para além disso, acrescentam valor ao produto e criam infraestruturas de base para esse efeito. O mesmo se verifica com a depuradora de marisco MecoMar, no Casal das Figueiras». O Mestre Galhardo, uma nova embarcação de pesca ao cerco, mereceu também referência. Augusto Pólvora abordou a questão dos fundos comunitários frisando o número de candidaturas apresentadas por Sesimbra.
«Estes são alguns sinais positivos num setor que tem sido muito causticado, sobretudo depois da entrada para a União Europeia, mas que tem conseguido resistir e mostra que está preparado para novos desafios». Legislação europeia que não tem em conta as realidades locais, dificuldades de financiamento, lacunas na formação e os constrangimentos criados pelo Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida, que devia ter sido revisto há três anos, foram situações apontadas como condicionantes da atividade.
Augusto Pólvora terminou abordando a campanha Sesimbra é Peixe, cujo objetivo é promover o pescado de Sesimbra e anunciou a criação de um conselho consultivo para debater regularmente as questões da pesca.
Odete Graça, presidente da Assembleia Municipal, dirigiu-se também aos presentes, em nome do órgão autárquico que representa para reforçar a importância da formação e da atração de jovens para a pesca. «Sesimbra terá sempre em conta aqueles que trabalham no mar. Em nome da Assembleia Municipal agradeço a vossa coragem e empenho e presto-vos homenagem».
Homenagem à Xávega do Meco
As comemorações do Dia do Pescador em Sesimbra tiveram início na Praia do Meco, com a inauguração de uma escultura que homenageia os pescadores da Xávega do Meco. «Normalmente, concentramos o programa na vila de Sesimbra, porque é onde se encontra a maior parte da comunidade piscatória, mas também é bom não esquecer que neste lado do concelho também existem pescadores», referiu o presidente da autarquia, Augusto Pólvora, momentos antes de inauguração da escultura.
«Nas décadas de 60 e 70, centenas de habitantes da freguesia do Castelo eram agricultores no inverno e pescadores no verão», lembrou. O presidente da Câmara Municipal expressou ainda o desejo de que esta atividade se mantenha por muitos mais anos. «Espero que consigam captar os jovens e continuem a desenvolver esta arte, que já não é só pesca, mas também um cartaz turístico e por isso mesmo é importante que perdure».
A continuação da Arte Xávega é uma preocupação diária dos últimos pescadores do Meco. «Quando deixarmos de poder ir ao mar isto acaba, porque as gerações mais novas não querem», revelou Rogério Neves, 66 anos, proprietário do barco José e Pedro, uma das duas embarcações que ainda resistem.
Outra questão que tem deixado os pescadores do Meco desanimados é a falta de espaço na praia para conseguirem realizar a pesca, que só pode ocorrer quando o mar o permite, entre as 19 e as 10 horas.
«Estamos a ser cada vez mais apertados, por isso gostávamos que houvesse uma chamada de atenção para que tivessem a nossa atividade em conta e se organizasse melhor o espaço para podermos passar com os tratores», alertou João Coelho, 63 anos, proprietário do barco Novo Esperança.
Para Carlos Bajouca, autor da escultura Arte Xávega, assistir a todo o ritual da pesca na praia foi um dos motivos que o deixou apaixonado pelo Meco logo desde o primeiro dia que o visitou. «Um grande obrigado pelo convite porque é um encanto viver aqui há mais de 30 anos e ter uma peça minha aqui nesta praia, que tanto amo», confessou.
Segundo o artista, «é uma peça simbólica, muito simples, em que a pedra central simboliza a força do mar, as redes a pesca e o barco e os remos são uma caraterística da Arte Xávega, que é feita não a motor mas com a força do homem», explicou.
Visita à Doca Marinha
Seguiu-se uma visita ao edifício da empresa Doca Marinha, no Zambujal, uma nova unidade de congelação e pescado no valor de 1,6 milhões de euros, que entrou em funcionamento no final de 2012.
Carlos Veríssimo, proprietário da empresa e ligado ao comércio de produtos da pesca há cerca de 20 anos, deu a conhecer o funcionamento da unidade, equipada com câmaras de conservação de frescos e congelados, túnel de congelação em salmoura e máquina de congelação em armários, que permitem armazenar cerca de 500 toneladas de pescado.
Para Carlos Veríssimo, a construção do edifício foi e continua a ser a concretização de um sonho. «Apesar das dificuldades é preciso andar para a frente e ter força de vontade», confessou, justificando o crescimento que a empresa teve nos últimos anos. Em 2011, a Doca Marinha foi considerada a sexta empresa mais importante do concelho em volume de negócios.
Entrega de Distinções
A entrega de distinções aos pescadores que se destacaram no ano anterior, na Sociedade Musical Sesimbrense, foi, mais uma vez, o ponto alto deste dia dedicado aos homens do mar. «Esta comemoração tem uma importância crescente pois permite, não só homenagear e felicitar os que tiveram melhores resultados, mas também fazer um balanço sobre o estado da atividade», referiu o presidente da Câmara Municipal, Augusto Pólvora, que aproveitou o momento para apresentar alguns dados sobre a pesca no concelho. «Sesimbra já teve 3 mil pescadores registados.
Em 2012 esse número foi de 548, o mais baixo de sempre, e no último ano assistimos a um acréscimo, para 579», adiantou. Entre os mais jovens (16-34 anos), houve também um aumento de 70 em 2010 para 85 em 2013.
Augusto Pólvora destacou o desempenho do Porto de Sesimbra, que nos últimos anos se tem afirmado como um dos mais importantes a nível nacional. «Temos o segundo lugar em valor comercial e o primeiro em quantidade de pescado descarregado em lota», salientou.
Os investimentos privados ligados à pesca foram também lembrados, sobretudo na área da congelação, com o alargamento das instalações da Artesanal Pesca e o surgimento da Doca Marinha. «Estes investimentos permitiram criar emprego e aumentar a capacidade ao nível de congelação em 20 mil toneladas, 5 a 6 mil na Doca Marinha e 15 mil na Artesanal», disse.
«Para além disso, acrescentam valor ao produto e criam infraestruturas de base para esse efeito. O mesmo se verifica com a depuradora de marisco MecoMar, no Casal das Figueiras». O Mestre Galhardo, uma nova embarcação de pesca ao cerco, mereceu também referência. Augusto Pólvora abordou a questão dos fundos comunitários frisando o número de candidaturas apresentadas por Sesimbra.
«Estes são alguns sinais positivos num setor que tem sido muito causticado, sobretudo depois da entrada para a União Europeia, mas que tem conseguido resistir e mostra que está preparado para novos desafios». Legislação europeia que não tem em conta as realidades locais, dificuldades de financiamento, lacunas na formação e os constrangimentos criados pelo Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida, que devia ter sido revisto há três anos, foram situações apontadas como condicionantes da atividade.
Augusto Pólvora terminou abordando a campanha Sesimbra é Peixe, cujo objetivo é promover o pescado de Sesimbra e anunciou a criação de um conselho consultivo para debater regularmente as questões da pesca.
Odete Graça, presidente da Assembleia Municipal, dirigiu-se também aos presentes, em nome do órgão autárquico que representa para reforçar a importância da formação e da atração de jovens para a pesca. «Sesimbra terá sempre em conta aqueles que trabalham no mar. Em nome da Assembleia Municipal agradeço a vossa coragem e empenho e presto-vos homenagem».