CONFERÊNCIA: A Arrábida e o Senhor das Chagas
Partindo da devoção sesimbrense e regional ao Senhor Jesus das Chagas, como centro da espiritualidade da serra, a conferência apresentará a Arrábida como um dos exemplos mais eloquentes de “montanha sagrada”.
Território sacro, deve ser entendido como um todo coerente sinalizado por vários santuários dispostos numa linha que se estende entre as duas ermidas da Memória (a do Cabo Espichel e a do eremitério primitivo, anterior aos frades franciscanos), tendo como centro o vale de Sesimbra, do castelo à praia.
Se ao longo de séculos foram as lendas a interpretar a serra, a partir de frei Agostinho da Cruz e até aos nossos dias a sua sacralização tem-se feito por intermédio da literatura e da poesia, numa continuidade cultural ainda hoje ativa.
Ruy Ventura é também mestre em Estudos Portugueses e publicou vários estudos em jornais, revistas e livros. Tem obra poética editada no nosso país e traduzida para espanhol, francês, alemão e inglês. Residente em Azeitão, foi professor no concelho de Sesimbra e dedica-se ao estudo da sacralização da Arrábida. Sobre essa matéria já deu à estampa o ensaio O Eixo e a Árvore - notas sobre a sacralização do território arrábido (Apenas Livros, Lisboa) e apresentará uma comunicação sobre a devoção ao Senhor das Chagas em Sesimbra no Congresso sobre Santuários, de cuja comissão científica faz parte, a decorrer em setembro no Alandroal.