CONVERSAS EM REDE: Debate junta representantes da pesca
O ciclo de debates, subordinado ao tema A Valorização do Pescado em Portugal e a Fuga à Lota, que percorreu dez pontos do país com atividade piscatória, juntou no Sana Sesimbra Hotel diversos representantes da pesca, com o objetivo de estreitar laços de cooperação para dinamizar o setor.
No início da sessão, José Apolinário, presidente da DOCAPESCA, fez uma breve apresentação do trabalho desenvolvido pela empresa nacional. «Atuar nos negócios da pesca, criando condições para a produção e para a comercialização, explorando novos caminhos e competências são o nosso objetivo principal», disse.
Apesar da dinâmica da empresa, o dirigente mostrou-se consciente da problemática existente. «Não se encontra uma resposta imediata às perguntas levantadas, mas é fundamental que as entidades debatam junto das comunidades piscatórias a situação, que deve ser construída localmente», referiu, completando que «estarmos aqui juntos já é um bom sinal».
A troca de experiências e ideias levou Manuel José Pólvora, presidente da ArtesanalPesca, a defender que a valorização do pescado passa, particularmente, pela construção de mais instalações de processamento das espécies. «Temos de ter espaço para o peixe fresco mas também para o peixe congelado, que é outra forma de valorizar o pescado e fazer com que este chegue a todos em perfeitas condições».
Uma valorização que segundo José Polido, vereador do Pelouro das Atividades Económicas da Câmara Municipal, passa também pela criação de novos projetos. «Queremos fazer chegar ao comprador peixe proveniente da frota sesimbrense, com a mesma qualidade de sempre mas a um preço mais justo tanto para o profissional como para quem compra», explicou o autarca, lembrando que «a ideia é criar um projeto à semelhança do PROVE, que permita uma proximidade entre pescador e consumidor».
Quanto à fuga à lota, Miguel Gaspar, membro do IPIMAR, lembrou a importância de uma primeira análise ao porquê desta escapatória à lei. «É essencial ter presente que os fatores de produção são um sério problema para os pescadores. O aumento do preço do combustível, do isco, das artes e a redução geral dos limites de captura são algumas das “barreiras” ao setor e que determinam, na maioria das vezes, a decisão do pescador».
Situação também destacada pelo dirigente do Sindicato dos Pescadores, que evidênciou ainda a «falta de coragem política para fazer frente às regras impostas pela Comunidade Europeia».
Neste campo, o secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, fez questão de explicar que esta realidade não é um problema simples. «Temos de discutir muito bem o assunto e ouvir todas as partes envolvidas, sabendo que Portugal tem um modelo próprio e uma realidade muito peculiar» adiantou, acrescentando que «nesta troca de visões chega-se sempre a um caminho».
No final, o secretário de Estado agradeceu o convite e enalteceu a iniciativa, destacando e envolvimento da comunidade local. «Nestes encontros já conseguimos juntar pescadores, associações e organizações não-governamentais, uma situação impensável há uns anos e isso é salutar».
Referindo que o governo «irá sempre defender o melhor para o setor», o secretário de Estado do Mar, disse a todos os presentes que tomou notas das questões colocadas e soluções apresentadas e que irá debruçar-se sobre o assunto.
Após o debate teve lugar uma demonstração de culinária com cavala, com o objetivo de promover a utilização desta espécie na gastronomia, contribuindo para a sua valorização, na perspetiva de aumentar os rendimentos dos pescadores.