Dia do Pescador reforça identidade sesimbrense
Uma antiga barca a subir uma “onda” de pedra, rodeada por peixes, colocada no centro da rotunda do Marco do Grilo, na EN378, a principal entrada do concelho de Sesimbra, passa a dar as boas-vindas em várias línguas a todos aqueles que chegam. O elemento escultórico, da autoria de Carlos Bajouca, inaugurado no Dia do Pescador, pretende transmitir a identidade sesimbrense, ligada ao mar e à pesca. A iniciativa da Câmara Municipal fez parte das comemorações do Dia do Pescador, que decorreram no 31 de maio.
«Esta peça representa não só a identidade sesimbrense, mas também a simbiose entre a pesca e o turismo, duas atividades cada vez mais interligadas», sublinhou o presidente da autarquia, Augusto Pólvora, após o descerramento da placa evocativa, identificada com a designação Sesimbra é Peixe. «A ideia surgiu na sequência da doação da barca à autarquia por parte do proprietário, o que contribuiu para dar um bom destino a esta embarcação construída nos estaleiros de Sesimbra, e que fez todo o seu percurso de vida na pesca nos mares da piscosa», adiantou ainda o autarca, que agradeceu a todos quantos contribuíram para concretizar o projeto.
Presente no acontecimento o autor do conjunto escultórico, Carlos Bajouca, afirmou que «Sesimbra é uma terra fantástica» e manifestou o desejo de que a sua obra passe a ser «uma referência para quem visita o concelho».
As comemorações fizeram-se também na Sociedade Musical Sesimbrense com a entrega de distinções. Na ocasião, o presidente da autarquia dirigiu uma mensagem de esperança e apreço a toda a comunidade piscatória, pelo contributo para o desenvolvimento do concelho, tendo destacado de forma especial os barcos e pescadores distinguidos.
Augusto Pólvora fez ainda um agradecimento ao pescador mais idoso, Serafim Painho, que apesar dos seus 82 anos ainda conserva uma arte xávega, sublinhando de seguida a perseverança dos proprietários do barco Anacleto António, o último na pesca do espadarte, e a coragem de Diamantino Mata e sua família, que depois do naufrágio da sua embarcação, Fina Flor, conseguiram erguer-se e voltar à faina. No seu discurso, o responsável pela autarquia apontou críticas à política de restrições à pesca da União Europeia, a imposição de quotas da pesca da sardinha e o impasse em torno da revisão do Parque Marinho Luiz Saldanha, que estão a prejudicar o sector e a própria economia do concelho.
Preocupações partilhadas também pelas presidentes da Assembleia Municipal e Junta de Freguesia de Santiago, Odete Graça e Ana Cruz, que reforçaram a necessidade de se continuar a apostar na economia do mar e enalteceram o empenho da classe piscatória.
O Dia do Pescador foi preenchido com missa e desfile de embarcações em homenagem aos pescadores falecidos no mar e a colocação de uma coroa de flores no Monumento ao Pescador.
Embarcações distinguidas:
Pesca do cerco – Barco Princesa de Sesimbra
Pesca longínqua – Barco Anacleto António
Pesca do peixe-espada preto – Barco Joia da Coroa
Pesca polivalente costeira – Barco Armindo José
Pesca polivalente local com convés – Barco Dulcemar
Pesca polivalente sem convés – Barco Fina Flor
Pesca da toneira e palangre – Aiola João Nabo
Pescador mais velho em atividade:
Serafim Rodrigues Marinheiro Painho (conhecido na vila por Bauça)