Município e utentes juntos contra anulação da contratação de médicos para a Quinta do Conde
Dezenas de utentes dos serviços públicos de saúde juntaram-se, no dia 17 de junho à porta da Unidade de Saúde Familiar (USF) da Quinta do Conde em protesto contra a decisão da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (SNS) de anular o procedimento de contratação de seis médicos para a nova Unidade de Saúde Familiar da Quinta do Conde, que está em construção.
A iniciativa contou com a presença dos presidentes da Câmara Municipal de Sesimbra, Francisco Jesus, e da Junta de Freguesia da Quinta do Conde, Carlos Pólvora.
«Estamos aqui para forçar a reversão de uma decisão da Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde, relativa à contratação de médicos de família, que permitiria constituir, por um lado, a nova Unidade de Saúde Familiar, e por outro, a continuidade da UCSP», sublinhou Francisco Jesus. «Já pedimos uma reunião urgente e, hoje, vamos voltar a insistir com a Ministra para nos receber e esclarecer sobre o que está a acontecer, porque também queremos uma resposta clara sobre aquilo que se pretende para a nova USF da Quinta do Conde», garantiu. «Não é depois da nova Unidade de Saúde estar pronta que se vai avançar para a possibilidade de se constituir equipas, uma vez que é um processo que demora meses. Daí que seja necessário que o Ministério faça também um esforço para contratar os profissionais», afirmou.
«É incompreensível que, havendo novos médicos disponíveis para integrar o Serviço Nacional de Saúde, sermos impossibilitados de ter as equipas constituídas a tempo e horas devido a esta decisão da Direção Executiva do SNS, de decidir pela contratação de apenas sete, e não dos 13 que inicialmente estavam previstos».
Além do mais, acrescentou Francisco Jesus, «esta decisão surge em contraciclo, porque quando se fala na urgência de contratar médicos para o SNS, somos confrontados exatamente com o contrário, com o próprio Ministério a criar dificuldades para integrar o SNS, ainda mais num quadro em que o município tem feito um esforço muito grande na construção de equipamentos de saúde» sustentou, referindo-se ao investimento que está a ser feito na construção da nova Unidade de Saúde da Quinta do Conde, e também na Unidade de Saúde de Sesimbra, inaugurada o ano passado.
A decisão do SNS de anular a contratação de seis médicos para a Unidade de Saúde Familiar para a nova Unidade de Saúde apanhou também de surpresa a Junta de Freguesia da Quinta do Conde e a Comissão de Utentes dos Serviços de Saúde.
«Estamos muito preocupados com esta situação porque estamos a falar de um universo de mais de 10 mil utentes que tinham a perspetiva de vir a ter médico de família e que, neste momento, estão em risco de não ter, devido à decisão do SNS», disse Carlos Pólvora, lembrando que a decisão do SNS é ainda mais inexplicável quando tudo aponta para que a nova Unidade de Saúde da Quinta do Conde fique concluída no final deste ano.
Para Emília Leite, da Comissão de Utentes, este novo desenvolvimento vem comprometer o funcionamento da nova Unidade de Saúde. «Estamos aqui a pedir que revertam esta decisão e para que contratem os médicos necessários, como estava previsto», assume. «Tínhamos a expectativa de vir a ter uma nova Unidade de Saúde Familiar no novo edifício e, com esta decisão, vamos ter o equipamento construído, mas sem a perspetiva de o mesmo vir a ter os médicos para prestarem os serviços à população». Emília Leite acrescentou ainda que a falta destes profissionais de saúde «não é de agora, porque o centro de saúde atual já era pequeno para servir a população quando foi inaugurado».
Refira-se que a contratação de profissionais de saúde para assegurar o bom funcionamento da nova Unidade de Saúde da Quinta do Conde tem sido há muito reivindicada pela Câmara Municipal de Sesimbra.
A nova Unidade de Saúde localiza-se entre a Avenida Cova dos Vidros e a Rua D. João IV, num espaço que engloba as antigas instalações do Centro de Saúde e parcelas de terreno, cedidas pelo município.
O equipamento tem um valor estimado de 1,4 milhões de euros, financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência, e conta com uma forte participação da autarquia que, apesar de não ter responsabilidade na construção de equipamentos de saúde, mostrou, mais uma vez, toda a disponibilidade para participar numa solução, por considerar que é uma obra fundamental para a população.