Participantes sesimbrenses do Peso Pesado dão a “cara” pelo combate à obesidade
André Francisco e Rita Jaqueta, os jovens participantes de Sesimbra no programa televisivo Peso Pesado Teen, estiveram na Escola Secundária de Sampaio para falar da importância da atividade física e de uma alimentação equilibrada e saudável, para ajudar a combater a obesidade infantil.
A iniciativa, promovida pela escola secundária, contou ainda com a presença da nutricionista Tânia Correia e do técnico de desporto, José Lopes, da Câmara Municipal, da professora de educação física, Sandra Ribeiro, e da treinadora do Peso Pesado, Joana Mota.
Conhecida por ser durona a dar treinos, a treinadora lembrou aos alunos que o mais importante é nunca desistir. «Nos meus treinos ninguém nunca desistiu: se não conseguiam fazer cinco repetições, faziam apenas duas. Há sempre solução para tudo».
Rita, a jovem participante, de 17 anos , afiançou que o mais difícil começa agora. «Todos os dias é uma luta, mas se continuarmos com os ensinamentos que nos deram podemos continuar a trabalhar no bom caminho», disse, adiantando que «há um conjunto de ingredientes e receitas que podem ser muito mais nutritivas e dar-nos o mesmo prazer que comer uma pizza ou um chocolate, e não nos fazem mal».
André, por sua vez, garantiu que continuar o regime em casa é um desafio diário. «Aprendemos a conhecer os alimentos e são esses conhecimentos que tento passar para toda a minha família», contou. «Há sempre tentações e reconheço que às vezes cometemos uma asneira, mas aprendi a saber compensar e já tenho a noção do meu corpo e de como ele reage a determinados comportamentos. Se hoje comi um bolo já sei que tenho que "dar mais" nos dias seguintes para compensar esse “pequeno pecado”», revelou entre risos.
O problema da obesidade é uma realidade que atinge uma parcela significativa da sociedade portuguesa, em particular crianças e jovens, entre os 4 e os 17 anos. «Sou professora de educação física e conheço de perto jovens com excesso de peso, mas sinceramente não tinha a noção da gravidade do problema entre os jovens», realçou Sandra Ribeiro, elogiando os dois alunos pela força de vontade e determinação na mudança de hábitos.
«A obesidade não é um problema da criança ou do jovem é uma questão que deve ser resolvida com a participação de toda a família, todos devem ser envolvidos», acrescentou José Lopes, técnico municipal que nos últimos anos tem dinamizado o projeto Mexe-te!, de luta contra a obesidade infantil.
«Alterar para determinados hábitos alimentares é uma preocupação que deve tocar-nos a todos, porque é tão válido para quem tem excesso de peso como para quem é magro, Não nos podemos esquecer da importância de uma alimentação rica e equilibrada que a par de uma vida ativa, com a prática de uma atividade física, só nos traz benefícios», garantiu Tânia Correia, nutricionista da autarquia.
No final, os jovens responderam a algumas questões colocadas pelos colegas de escola, garantindo que com a mudança de comportamentos só perderam peso. «Ganhámos muito mais do que possam imaginar. Mais qualidade de vida, mais autoestima, mais vontade em nos relacionarmos com os outros, mais vontade de estar e de viver, acreditem».
Mexe-te! Pela tua saúde.
Recorde-se que desde 2006, a autarquia desenvolve um projeto de combate à obesidade infantil, Mexe-te!, que alia três vertentes: educação física, nutrição e acompanhamento psicológico. A iniciativa, que já deu apoio a dezenas de crianças e jovens entre os 5 e os 15 anos, identifica e acompanha os casos considerados problemáticos para um programa que procura conciliar a reeducação alimentar e o exercício físico.
O processo inicia-se com um pré-diagnóstico que determina o grau de risco de cada criança ou jovem e prossegue com a criação e aplicação de medidas personalizadas, consoante a especificidade de cada caso.
A obesidade infantil foi considerada pela Organização Mundial de Saúde como epidemia global. Em Portugal, o segundo país da Europa com maior prevalência de casos de excesso de peso e obesidade, 30 por cento das crianças entre os 7 e os 9 anos foram consideradas obesas.