Sesimbra volta a destacar-se na Educação
Sesimbra entre os oito municípios que mais se envolvem em projetos para a promoção do sucesso escolar, uma distinção que resulta da análise feita pelo Ministério da Educação junto de diretores de agrupamento de escolas de todo o país, e anunciada por uma representante do Ministério na última reunião do Conselho Municipal de Educação, que decorreu em dezembro de 2016.
O levantamento, que teve por base a participação das autarquias em projetos de promoção do sucesso escolar e a sua ligação à comunidade educativa, valoriza a relação forte de parceria entre a Câmara Municipal e os cinco agrupamentos. «Em Sesimbra entendemos que a Educação é uma prioridade, e neste sentido temos estabelecido com as escolas, ao longo dos anos, uma verdadeira cultura de trabalho em parceria. Não é só um trabalho nosso. É também da comunidade educativa, que engloba não só as escolas e a Câmara, mas também encarregados de educação, alunos, pessoal não docente e outros agentes, como as associações de cultura e desporto, que trabalham em rede para que o sucesso educativo no concelho seja uma realidade», referiu a vereadora do Pelouro da Educação, Felícia Costa.
«Penso que aquilo que é mais significativo, e que resulta neste nível de reconhecimento e mérito que temos obtido ao longo dos anos, é o facto da Câmara Municipal se mostrar recetiva às necessidades que nos chegam das escolas», acrescentou. No concelho há um conjunto de projetos neste campo que a Câmara Municipal abraçou desde a primeira hora, e que se mantém com um nível de sucesso bastante elevado dos quais se destaca, a Rede de Mediadores EPIS e a Orquestra Geração.
«Nunca pensaríamos avançar com estes projetos se essa não fosse uma necessidade sentida pelas escolas. Portanto, a autarquia é, sobretudo, o recetor em relação às carências e necessidades que as escolas sentem e que nos transmitem. Dentro das áreas da nossa competência e, por vezes, muito para além do que é da nossa competência, tentamos responder, seja com recursos financeiros, técnicos ou humanos», salientou a responsável pelo pelouro da Educação. Note-se que em relação ao EPIS, Sesimbra foi o único concelho que decidiu financiar uma equipa para dar continuidade à ideia, que hoje está perfeitamente enraizada no meio escolar.
Rede de Mediadores EPIS
A coordenadora do EPIS em Sesimbra, Teresa Capítulo, recorda os primeiros passos do projeto. «Em 2009, a autarquia abraçou o EPIS quando numa reunião entre a Câmara Municipal e os agrupamentos se falou sobre as necessidades reais das escolas e foi dito que era necessário que houvesse pessoas para ajudar e apoiar os meninos mais frágeis e que não conseguiam ter sucesso escolar», explicou. Foi deste modo que a rede de mediadores chegou a Sesimbra.
«A autarquia financiou a formação inicial e afetou técnicos dos seus quadros para que fosse possível colocar um mediador em cada agrupamento», recordou. «Ao longo destes anos, dos cerca de 1700 alunos que apoiámos, em média 70 por cento passou de mau aluno a bom aluno, um resultado que nos orgulha bastante, pois as questões do abandono são residuais», disse.
«Temos com os alunos uma mecânica de proximidade, e é essa relação que estabelecemos com eles e com as direções das escolas que nos possibilita, sem dúvida, ter êxito. Na minha opinião, este empenho, entusiasmo e os desafios constantes que colocamos uns aos outros são, no fundo, o segredo para que os nossos alunos tenham o melhor. Sabemos que ainda há muito a fazer mas vamos trabalhando de forma consistente e com êxito, e é esta relação de confiança e este diálogo que temos uns com os outros, que é essencial para que tudo funcione», explicou Teresa Capítulo.
Renato João, 11 anos, aluno do 5º ano da Escola Navegador Rodrigues Soromenho, um dos jovens acompanhados pelo EPIS, resume assim a sua experiência: «É uma verdadeira ajuda para mim». Renato confessa que tinha falta de atenção, brincava muito nas aulas e agora com a ajuda das professoras do EPIS está mais atento e com melhores resultados. «O EPIS ensinou-me a ter métodos de estudo, a resolver problemas com os colegas e
professores e tem sido uma grande ajuda».
Orquestra Geração
Em relação à Orquestra, cujos objetivos passam por promover a inclusão social de crianças e jovens de bairros sociais, combater o abandono e o insucesso escolar e contribuir para a construção de planos de vida, foi implementado no Agrupamento de Escolas da Boa Água em 2009, a partir de uma candidatura efetuada ao QREN. A autarquia apoiou a sua criação desde início e financiou tanto a aquisição de instrumentos, como a contratação dos coordenadores pedagógicos para colocar o projeto em prática.
Atualmente, a orquestra reúne 64 alunos e é financiada totalmente pela autarquia. «Os instrumentos, as deslocações para os estágios e concertos, a alimentação e a coordenação pedagógica do projeto são encargos da autarquia e uma ajuda fundamental na continuação do projeto», frisou Helena Lima, professora de música do Conservatório Nacional. «Temos dois estudos de avaliação feitos pela Universidade de Lisboa em que foram tidas em conta várias questões, entre elas a autoestima e a correlação com os resultados escolares e, de facto, o balanço é bastante positivo», contou.
Inês Caetano, 10 anos, uma das alunas que fazem parte do projeto confirmou este sucesso: «Estou a adorar a experiência e a aprender muito», garantiu. «Tocar na orquestra faz-me sentir muito mais feliz».
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Nuno Mantas - Diretor do Agrupamento de Escolas da Boa Água
Alcançámos tão bons resultados com os Edulabs, que decidimos lançar o desafio à autarquia, que, e muito bem, na minha perspetiva, decidiu avançar com uma candidatura ao Portugal 2020 para alargá-lo a outras escolas. Há um grande envolvimento de todos - da autarquia, da direção dos agrupamentos, dos encarregados de educação e dos alunos - e todos estamos a puxar para o mesmo lado, e isso é, realmente, o mais importante. Acredito que se não houvesse esta interligação entre as escolas e a autarquia seria muito mais difícil.
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Clara Rosa - Diretora do Agrupamento de Escolas da Quinta do Conde
Para mim a principal razão desta proximidade com a autarquia passa pelo facto de todos nos conhecermos. Mesmo não indo às escolas uns dos outros, sabemos o que cada um está a fazer, e se for preciso alguma coisa basta ligar para recebermos ajuda ou colaboração. E o mesmo se passa com a autarquia. Quando precisamos de alguma coisa, ou de uma simples resposta, sabemos exatamente a quem nos devemos dirigir. Esta parceria é fundamental. Trabalhamos todos em prol da Educação.
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Eduardo Cruz - Diretor do Agrupamento
de Escolas da Michel Giacometti
Na minha perspetiva, estamos a fazer um trabalho muito bom, aliás, excelente. E isso é possível porque existem outras pessoas fora da escola a colaborar na formação dos alunos, ou seja, há uma comunidade educativa completa. O nosso programa educativo envolve muitas deslocações e muitas visitas de estudo e para isso contamos muito com a participação da Câmara Municipal. Se não houvesse o apoio da autarquia, seria muito difícil ou quase impossível.
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Rui do Bem Neto - Diretor do Agrupamento de Escolas de Sampaio
Apesar de cada escola ter o seu projeto educativo houve o cuidado de existir um projeto educativo local, com orientações, como as questões do abandono zero, da redução da taxa de insucesso escolar, ou seja, com um conjunto de metas a atingir e isso no meu ponto de vista é fundamental. Aliás, é um projeto que tem sido considerado inovador em termos concelhio. Espero que continue e se desenvolva, porque é algo bastante positivo e que se tem cimentado ao longo dos anos.
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Ana Paula Neto - Diretora do Agrupamento de Escolas Navegador Rodrigues Soromenho
Somos uns privilegiados com a relação que temos com a Câmara Municipal. É o nosso grande parceiro pois sem o seu apoio não conseguiríamos implementar determinados projetos, como a formação em contexto de trabalho ou a escola de verão. Acho que esta proximidade é fundamental e não existe em todos os municípios. O apoio que a Câmara de Sesimbra presta às escolas vai muito para além das suas obrigações, e por isso acho que somos realmente uns privilegiados.