SESSÃO EVOCATIVA: Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal
Com estas palavras, Augusto Pólvora, presidente da autarquia, exprimiu o porquê de Sesimbra se ter associado às Comemorações do Centenário do Nascimento de Álvaro Cunhal, a decorrer por todo o país.
Na sessão evocativa Vida e Obra de Álvaro Cunhal, que teve lugar no dia 19 de maio, no Cineteatro Municipal, o autarca enalteceu a capacidade de antevisão e previsão de Álvaro Cunhal.
«O tempo deu razão a Álvaro Cunhal e reconhecemos que tinha toda a razão nas previsões que fez, nomeadamente no processo que nós portugueses conhecemos de perto e que são os anos a seguir à revolução de Abril, e na adesão de Portugal à então CEE. Este último processo levou à dissociação de um país, à aniquilação das nossas pescas e da nossa agricultura, e como Álvaro Cunhal previa, a adesão à União Europeia teve várias consequências».
Apesar da posição partidária do executivo municipal, Augusto Pólvora lembrou na cerimónia que «são muitos os municípios, inclusive alguns com posições militantes opostas às de Álvaro Cunhal, que estão a assinalar o centenário do seu nascimento», acrescentando que «só isso comprova o papel que teve como cidadão no país».
Carlos Gonçalves, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, recordou o homem, o comunista, o intelectual e o artista. «Esta é uma justa e a incontornável homenagem a Álvaro Cunhal, figura central do século XX português, que se afirmou como uma referência na luta pelos valores sociais no seu país e nos quatro cantos do mundo, como um dos principais rostos da luta contra a ditadura salazarista, mas também pela sua enorme craveira intelectual e cultural».
Também para o político, as advertências do PCP, ontem como hoje, confirmam-se. «Hoje é evidente que Álvaro Cunhal tinha toda a razão – a atualidade confirma – a pobreza e a dependência de Portugal no domínio do capital financeiro é uma realidade».
Contudo, Carlos Gonçalves fez questão de reafirmar que «apesar da situação difícil e complexa a que esta política nos está a conduzir - ao crescente isolamento social e inevitavelmente ao desastre do país - a luta do PCP irá persistir, como há 50 anos atrás».
A cerimónia, que contou com a presença de munícipes, autarcas e individualidades, começou com um momento musical com os Vox Cantatis e do Sexteto de Flautas da Associação Musical e Cultural da Quinta do Conde, à qual se seguiu a apresentação do filme Álvaro Cunhal – Vida, Pensamento e Luta, para terminar com atuação do Grupo Coral de Sesimbra.