TURISMO: Sesimbra é Peixe e Arte na Rua
A visita guiada por este novo roteiro da vila começou no n.º 2 da Rua Jorge Nunes, com uma instalação na porta da loja Salamaleques. «Cada membro da família fez um dos elementos desta instalação, e cada um deles representa um bocadinho de Sesimbra», adiantou Susana Brites, proprietária.
A herança muçulmana, o Senhor das Chagas, o património ou as tradições são alguns dos aspetos presentes. «Tivemos o cuidado de preservar a fachada do prédio, que é muito bonito», concluiu. No mesmo edifício, mas no n.º 4, a pintura de uma criança abraçada a um peixe-voador, em fundo turquesa, simbolizando as águas cristalinas de Sesimbra, prende de imediato a atenção. O trabalho, da autoria de Salomé Afonso, retrata «o enraizamento da fauna marítima na cultura do povo de Sesimbra». Na mesma rua, um peixe surge numa porta, como se pairasse no fundo do oceano, surpreendendo quem passa. «Pêxe» é o título do trabalho, de Tiago Cristóvão.
A próxima paragem foi no Largo José António Pereira, onde em duas das portas da Galeria em Projeto se puderam observar as duas pinturas de Ricardo Delauney, um dos mais conceituados artistas de arte urbana de Portugal, que assina como SKRAN, e que participou recentemente na abertura desta Galeria. O trabalho representa dois rostos, um masculino e um feminino, em metamorfose com peixes.
Aqui Nada-se Bem é o título da proposta de Vera Ferreira, que nos oferece um aquário onde coloca alguns dos principais elementos do património sesimbrense, como a Fortaleza de Santiago ou o Cabo Espichel. A porta ao lado está reservada para João Cruz, outro dos artistas que esteve presente na inauguração da Galeria. Natural de Sesimbra, optou por transpor para a porta a típica figura do pescador que é usada no rótulo do licor com o mesmo nome.
No mesmo largo, mas noutro edifício, o azul e dourado destacam-se na fachada. Inspirada por um poema de Vitorino Nemésio, Sara Trindade apresentou uma pintura e instalação que mostra um cardume de peixes e ao mesmo tempo representa a vila de Sesimbra pelos padrões de azulejos que se encontram no núcleo antigo.
Ali ao lado, na travessa Cândido dos Reis, Maria da Conceição Marques optou por desenhar um polvo, com o título Octopus. «É um dos moluscos mais capturados em Sesimbra e portanto decidi representá-lo», explicou. «O vermelho sobre azul traz a vivacidade e alegria e desperta-nos para os petiscos disponíveis nas várias tasquinhas». Maria da Conceição apresentou outro desenho, na Rua Cândido dos Reis, desta vez representando o famoso mergulho das baleias. «A pesca do Peixe-espada Preto permite muitas vezes observar estes cetáceos, e tentei transpor para esta porta essa imagem».
A paragem seguinte foi a rua Capitão Leitão, conhecida por rua da Galé, onde ainda existem algumas lojas de companha. Aqui, Sara Pereira apresentou uma instalação com redes de pesca sobre uma porta. «Em vez da pintura decidi criar uma “machucha” com todos estes elementos», referiu com pronúncia sesimbrense, afirmando a sua origem.
Neste momento a maioria das portas do projeto está concluída. A fase seguinte do concurso passa pela votação, feita pelo júri e pelo público. O vencedor será anunciado a 27 de setembro, Dia Mundial do Turismo, e receberá um prémio de 500 euros.