Valorizar os resíduos que produzimos
NÓS Sesimbra
N.º21 | mar
Editorial
«A recolha de resíduos sólidos urbanos é, sem dúvida, uma das mais complexas funções de uma Câmara Municipal, e cujo impacto na qualidade de vida e na própria imagem do concelho é mais notório. É também uma área de atuação em que o civismo de cada um de nós é realmente relevante.
De pouco vale o investimento em meios cada vez mais modernos e projetos mais ambiciosos e amigos do ambiente quando há quem continue a deposição ilegal e indevida de resíduos em muitos pontos do concelho.Estes atos, para além da degradação do espaço público e de problemas de salubridade, ocupam meios que poderiam estar afetos a outras funções. É, portanto, uma temática onde a informação e a sensibilização são fundamentais.
Importa referir, a este propósito, o trabalho de educação ambiental feito nas nossas escolas que faz com que hoje, os grandes dinamizadores de hábitos ambientalmente corretos, entre os quais a separação de resíduos para reciclagem, sejam as nossas crianças, o que nos enche de esperança num futuro melhor.
Ao longo dos tempos, a forma como encaramos os resíduos que produzimos tem vindo a ser alterada.
Há pouco mais de duas décadas todo o lixo que produzíamos era indiferenciado e não tinha qualquer tratamento. Plástico, vidro, pilhas, papel, óleos, eram todos depositados no mesmo contentor. Entretanto, iniciou-se a recolha seletiva, primeiro de vidro, depois de papel, plástico e óleos usados. Reciclar passou a integrar as rotinas diárias da grande maioria dos cidadãos.
O tratamento e valorização dos resíduos não parou de evoluir, cada vez mais adaptada à realidade e às necessidades das pessoas, e cada vez mais sustentável.
A recolha de biorresíduos, cujo projeto apresentamos nesta edição do Nós Sesimbra, é um exemplo dessa evolução. Biorresíduos são, essencialmente, restos de preparação de refeições e das próprias refeições.
Estima-se que representem 40 por cento do lixo. Até aqui iam parar ao lixo indiferenciado e seguiam para aterro. Com a sua recolha seletiva e posterior tratamento serão aproveitados para produção de composto e mesmo de energia.
O processo, nesta primeira fase, passa pela distribuição de cerca de 2 mil contentores de 40 litros, 1600 dos quais em moradias unifamiliares e 400 em prédios de habitação coletiva.
No primeiro caso, a recolha será feita no sistema porta-a-porta, e no segundo, haverá um contentor próprio na via pública.
Serão também abrangidos 115 restaurantes do concelho, grandes produtores deste tipo de resíduo.
A intenção é que esta recolha se alargue a todo o concelho, e que comece a fazer parte dos hábitos das famílias. Para que se consiga um amplo envolvimento dos cidadãos, o trabalho no terreno será acompanhado por uma campanha de sensibilização dinâmica e esclarecedora.
Refira-se que esta recolha representa um investimento de perto de um milhão de euros, e é mais um passo que damos em conjunto, autarquia e cidadãos, para a sustentabilidade ambiental do município.»