PATRIMÓNIO: Fortaleza de Santiago abre ao público dia 25
No interior do edifício passará a funcionar o Posto de Turismo, uma cafetaria, espaços multiusos e de exposições, que permitirão apresentar uma programação cultural regular. Posteriormente, será instalado, no local, o Museu do Mar.
Na data de abertura estarão patentes duas exposições, uma dedicada à história do edifício, que para além das datas mais marcantes, dá ênfase a todos os esforços desenvolvidos ao longo do século XX para que o município pudesse tomar posse do monumento, e outra relacionada com a intervenção. Haverá também um conjunto de painéis descentralizados que mostram o estado em que se encontrava o conjunto arquitetónico e o trabalho que foi necessário desenvolver para se conseguir recuperar a sua estrutura original.
O programa da inauguração inclui intervenções oficiais, às 21.30 horas, e um espetáculo com Teresa Salgueiro, ex-vocalista dos Madredeus, um dos mais famosos grupos portugueses de sempre, às 22 horas.
Uma recuperação exemplar
A requalificação da Fortaleza de Santiago, iniciada em 2011 pela Câmara Municipal, foi uma das mais importantes intervenções incluídas no Programa Integrado de Valorização da Frente de Sesimbra, apoiado pelo QREN- PORLisboa, e rondou 1,5 milhões de euros. A grande preocupação do projeto foi manter a traça original do edifício.
Depois da obra da primeira fase, centrada no arranjo das fachadas, coberturas, terraços e muralhas e na remoção de paredes, pisos e estruturas que não faziam parte da construção original, a segunda parte da reabilitação abrangeu os espaços interiores e consistiu, sobretudo, na substituição dos pisos antigos que se encontravam degradados, especialmente na zona da casa do Governador e das antigas camaratas, construção de instalações sanitárias, infraestruturas de águas, gás, esgotos, eletricidade e telecomunicações, e preparação das salas para acolher as diversas valências que vão preencher o edifício, para além das intervenções exteriores que privilegiaram as acessibilidades e a iluminação pública.
Tratou-se de um trabalho minucioso e especializado, sempre muito bem documentado e acompanhado por técnicos ligados à história e à arqueologia, pois a intenção foi preservar, ao máximo, a estrutura inicial.
Houve também a preocupação de tornar o edifício prático e funcional, adaptado às novas funcionalidades como espaço museológico e de lazer. Neste campo salienta-se a instalação de um elevador que permitirá o acesso de pessoas com mobilidade reduzida ao andar superior e um deck em madeira, que estabelece a ligação a todas as áreas interiores a partir da entrada do edifício.
Transferência do imóvel para o município
A abertura da Fortaleza ao público, no dia 4 de maio de 2006, foi o momento que marcou o início do processo de transferência deste imóvel para a gestão municipal. O acordo celebrado entre a Câmara Municipal e a Guarda Nacional Republicana (GNR) estabeleceu a utilização do espaço para realização de diversos eventos, como a Zimbr’Arte, as Zimbra Estações e espetáculos musicais.
Dois anos depois, a GNR subscreveu a proposta da Câmara Municipal para a cedência do espaço edificado da Fortaleza de Santiago à autarquia, que tinha sido dirigida ao Ministério da Administração Interna em agosto de 2007. O projeto de recuperação, que posteriormente recebeu financiamento do Quadro de Referência Estratégico Nacional, no âmbito de uma candidatura apresentada pela Câmara Municipal para a Revitalização da Frente Marítima de Sesimbra, previa o aproveitamento do espaço para atividades culturais e de lazer, entre os quais o Museu do Mar.
Em abril de 2010, a Direção-geral do Tesouro e Finanças, a GNR e a Câmara Municipal celebraram o Auto de Restituição, Cedência de Utilização e Aceitação da Fortaleza de Santiago. Nos termos deste compromisso, a GNR restituiu à DGTF o imóvel e, por sua vez, esta autorizou a cedência de utilização ao município por um período de 87 anos, tendo no entanto a GNR o uso de alguns espaços para os respetivos serviços sociais.
No final desse ano, o edifício é encerrado ao público para realização do diagnóstico estrutural do edifício, operação que implicou um conjunto de intervenções em vários pontos do mesmo. O estudo geotécnico, geológico e estrutural da Fortaleza de Santiago teve como objetivo avaliar o seu estado de conservação para se iniciarem as intervenções previstas.
Dois anos depois, por iniciativa da GNR, é assinada uma adenda ao memorando de entendimento que formaliza a cedência de todos os espaços da Fortaleza a título definitivo, ao município, tendo como contrapartida a disponibilização de quatro unidades de alojamento no Bairro Infante D. Henrique para os respetivos serviços sociais e comparticipadas por estes.
O novo acordo possibilitou à autarquia fazer alterações ao projeto, permitindo a instalação do Posto de Turismo e um conjunto de valências que valorizam o espaço e que são essenciais para qualificar o turismo em Sesimbra.