Fortaleza de Santiago
A Fortaleza de Santiago convive com a comunidade sesimbrense desde 1649. Foi construída numa época em que o perigo chegava do mar e as fronteiras marítimas tinham de ser defendidas, mas com o avanço da História foi perdendo a sua preponderância defensiva.
Os habitantes da vila habituaram-se à sua presença, bela e imponente, no centro da praia, aceitando-a como parte integrante da sua terra. Talvez por isso, quando o edifício entrou em processo de degradação, aumentou o desejo de preservar e de tornar este espaço público. Tornou-se uma prioridade para a Câmara Municipal de Sesimbra e para os sesimbrenses.
Há vários registos documentais de propostas para utilização do monumento, mas só em 2006 foi possível chegar a um acordo com a Guarda Nacional Republicana (GNR) para a abertura do espaço exterior ao público. A 4 de maio desse ano, Dia do Município, as portas abriram-se e os sesimbrense puderam entrar na Fortaleza de Santiago, pela primeira vez, sem constrangimentos, num momento que marcou a história recente do concelho.
Desde então, embora apresentasse sinais evidentes de degradação, a Fortaleza de Santiago recebeu várias atividades e tornou-se num dos principais polos de atração da vila, ainda que qualquer intervenção ou mesmo utilização estivesse sempre dependente da GNR.
A Câmara Municipal prosseguiu e intensificou os contactos com as entidades responsáveis pelo espaço para tentar obter a sua posse e dar início à recuperação, cada vez mais urgente.
Em 2008, a GNR subscreve a proposta de cedência apresentada pela autarquia e no mesmo ano avança um primeiro programa de ocupação, incluído na candidatura da Valorização da Frente Marítima de Sesimbra, apresentada pela Câmara Municipal e aprovada pelo QREN.
A formalização da cedência dá-se em 2010. Com este acordo, a autarquia toma posse plena da ala nascente, que correspondia sensivelmente a metade dos edifícios, durante um período de 87 anos. Apesar de limitada, a solução revelou-se uma importante conquista para o município e serviu para abrir caminho aos trabalhos de recuperação.
Já com as obras em curso é finalmente alcançado um acordo que dá posse definitiva da totalidade do monumento à Câmara Municipal de Sesimbra, decisão histórica que alterou os pressupostos da intervenção, pois permitiu olhar para o conjunto arquitetónico no seu todo e criar novas valências.
Todo este longo processo (2006-2014) só foi possível com o empenho total da autarquia, tanto ao nível das negociações que tornaram possível a passagem da Fortaleza de Santiago para o domínio público, como nos trabalhos de restauro que conseguiram encontrar e recuperar a verdadeira essência do monumento, símbolo da nossa terra.
Hoje, o concelho de Sesimbra está mais rico, não só porque tem um espaço público de excelência, no coração da vila, mas sobretudo porque soube manter viva a sua história e o seu património coletivo.
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