Sabores
Farinha Torrada
Mais do que um doce, uma tradição familiar. Não pode visitar Sesimbra sem provar esta doçaria de eleição. Está associada à atividade da pesca e era levada para o mar pelos pescadores. Para muitos, esta sim é que é a verdadeira barra energética. Com uma base de farinha, adiciona-se chocolate, açúcar, limão e canela. Fica com uma textura consistente e pode ser cortada aos quadrados ou retângulos. A Câmara Municipal Sesimbra procedeu ao registo da marca e da receita e a Farinha Torrada, confecionada de forma tradicional, pode ser encontrada em diversos estabelecimentos locais.
Tamarina
A Tamarina é um bolo tradicional de Sesimbra criado no século passado por uma doceira local. Tem o estatuto de Especialidade Tradicional Local e a marca foi registada pela Câmara Municipal de Sesimbra. O bolo em forma de triângulo foi criado no final da década de 30 do século passado, por Angeolila Zegre, na pastelaria «Tá Mar», da qual era proprietária e que funcionava na Rua Cândido dos Reis, em Sesimbra. Do nome da pastelaria deriva o nome Tamarina. A base é feita em pão de ló fofo, recheado e barrado com um creme à base de gemas de ovo e coberto de coco. Recordando o aroma que sentia quando via a avó Angeolila a cortar e a rechear as Tamarinas, Maria Dulce Bronze considera muito importante todo o processo de preservação da receita original para que a base seja mantida. O registo da receita pertenceu a Carolina Roque, que fazia e vendia Tamarinas, na Almoinha, uma aldeia nos arredores de Sesimbra. A pasteleira cedeu o registo à Câmara Municipal de Sesimbra, que criou um logotipo e uma imagem para a marca Tamarina de Sesimbra. As pastelarias que vendem este produto têm à porta o Dístico da Tamarina de Sesimbra.
Maçã Camoesa ou Férrea Azoia
A Maçã Camoesa ou Férrea Azoia reúne cada vez mais apreciadores. As árvores, embora dispersas, poderão ser encontradas perto do Cabo Espichel. Nesta zona, um microclima único, conjugado com os terrenos argilosos e ricos em ferro marcam a diferença de sabor de outras variedades de maçãs. Tem tons avermelhados e amarelados no lado exposto ao sol. No interior apresenta uma cor branca, consistência firme e polpa ácida. Comparada com outros tipos de maçã, a Camoesa é rica em antioxidantes e polifenóis, segundo um estudo realizado pelo Professor Agostinho de Carvalho, da Universidade Egas Moniz, do Monte de Caparica. A Camoesa possui ainda propriedades anticancerígenas e combate a anemia e a diabetes. Para promover o cultivo da macieira camoesa e divulgar este fruto junto do público em geral, a Câmara Municipal de Sesimbra dinamizou um conjunto de ações e passou a deter o registo exclusivo da marca, com um logotipo associado. Estas iniciativas contribuiram para o aumento do número de produtores, de árvores e, por conseguinte, da produção deste fruto.
Pão caseiro
O pão é um dos alimentos mais antigos e importantes que conhecemos. Embora a sua confeção seja muito simples, levando apenas farinha, água, sal e levedura, os segredos de um pão perfeito perdem-se nos tempos, mas foram passados de geração em geração. É na freguesia do Castelo que se produz o afamado «pão caseiro», cozido a lenha e muito apreciado. Começou por ser produzido para consumo próprio, porque a maior parte dos habitantes tinha forno a lenha. Eram envolvidos em lençóis e guardados em cestas. A marca Pão Caseiro de Sesimbra Cozido em Forno a Lenha foi registada pela Câmara Municipal de Sesimbra para preservar este saber ancestral e, ao mesmo tempo, incentivar os produtores a manterem a sua atividade e a transmiti-la às novas gerações.
Peixe seco
O cão-do-monte, mais conhecido por cademonte, é apelidado por Bacalhau de Sesimbra. Há quem o prefira, em detrimento do fiel amigo. Seco ao sol, depois tem de ser demolhado e confecionado como o bacalhau. Esta prática remonta aos tempos em que não havia frigoríficos. O peixe era seco ao sol ou então conservado em sal. A mesma técnica pode ser aplicada a peixes como carapau, raia e moreia. O polvo seco assado na brasa faz parte da tradição dos Santos Populares.
Vinho Cezimbra
O Vinho Cezimbra nasceu em 2024. Bastaram dois anos para ser galardoado com o Prémio Inovação, no Concurso de Vinhos da Península de Setúbal, em 2026. Trata-se de um projeto pouco habitual: produzir vinho, em nome próprio, com a sua chancela. Não nos podemos esquecer que este é um território com tradição. É preciso pegar na vinha e criar um projeto pedagógico, que pretenda salvaguardar espécies tradicionais. Também se procura o incentivo ao surgimento de novos produtores que continuem este trabalho e dar a conhecer às crianças a forma de produção de vinho.
Queijo de Azoia
Produzido há mais de 100 anos, o Queijo da Azoia é uma das especialidades do concelho de Sesimbra. A ovelha da raça saloia encontra nesta zona, perto do Cabo Espichel, a diversidade e qualidade de pasto que se reflete no sabor único do queijo. Entre as 50 espécies de flora, destacam-se as bagas de zimbro e de aroeira, óregão, malmequer, azevém, serradela, tremocilha e luzema. Resultado final: queijos fresco, curado e amanteigado e requeijão de primeira qualidade.
Mel
O mel de Sesimbra é reconhecido como um dos melhores de Portugal pelo seu sabor muito característico. Na sua origem está o clima ameno da região que proporciona uma flora diversificada: alecrim, óregão, tomilho, esteva, murta e rosmaninho. Organizado pela Câmara Municipal de Sesimbra, o certame Zimbramel, Feira do Mel da Península de Setúbal, reúne produtores de todo o País.
Conservas de Sesimbra
As conservas de Sesimbra foram recriadas e podem ser adquiridas no Posto de Turismo que está aberto ao público na Fortaleza de Santiago. Para as recriar, mesmo que de forma simbólica, com pescado local, a Câmara Municipal de Sesimbra produziu cinco conservas lançadas no âmbito da marca de promoção turística Yes Sesimbra. Carapau, cavala, sardinha em azeite, cavala em molho picante e uma edição especial de sardinha com uma embalagem alusiva ao período romano. A história da indústria conserveira em Sesimbra remonta aos séculos I, II e III d.C., em pleno período romano. Tanques de salga e fragmentos de ânfora descobertos em 2009, na Avenida da Liberdade e no Largo de Bombaldes, indicam a existência de um centro de preparação de peixe. Destino: Todo o império romano. Mais tarde, no século XVI, o peixe conservado fazia parte do abastecimento das caravelas que partiam para a expansão ultramarina. A primeira referência a uma fábrica de conservas em Sesimbra remonta a 1890, mas o período mais expressivo decorreu durante I Guerra Mundial até ao fim dos anos vinte do século passado. Em 1923, a fábrica Bela Vista, instalada na Rua Heliodoro Salgado, ganhou a Medalha de Ouro na Exposição Internacional do Rio de Janeiro, no Brasil, Se quiser comprar Conservas de Sesimbra poderá fazê-lo na Mercearia Ideal e no Espaço Visit Castelo.