Parque Ecológico da Várzea
Na Idade Média, a Ribeira de Coina era navegável até à Aldeia da Piedade, também conhecida por muitos como “Coina-a-Velha”. Aqui ainda são visíveis ruínas de um castelo e a toponímia Estrada Porto de Cambas, que remete para uma estrutura portuária.
Esta mesma ribeira nasce na Arrábida e desagua no Tejo e teve uma importância histórica no transporte de pessoas e mercadorias. Passa pela freguesia da Quinta do Conde, onde desenha os limites do concelho de Sesimbra e a sua fronteira com Setúbal. Foram estes terrenos contíguos à ribeira que deram origem ao Parque Ecológico da Várzea, procurando um conceito sustentável de recuperação da paisagem e dos valores naturais existentes.
A zona estava atolada de detritos ilegais, que foram removidos pela Câmara Municipal de Sesimbra, em articulação com a Junta de Freguesia da Quinta do Conde. Pela primeira vez, em muitos anos, os contornos e a beleza da paisagem original, assim como a sua flora e fauna, puderam respirar e ver a luz do dia. Foram abertos canais, construídas represas e sistemas de drenagem e plantadas duas mil árvores.
Na zona de alagamento, onde os terrenos são férteis, começaram a surgir hortas urbanas. Foi então apresentada uma candidatura à EDP Solidária, que resultou no financiamento de cerca de 60 talhões de hortas, distribuídos por associações locais e cidadãos com poucos recursos económicos. Estas hortas são hoje o “coração” do parque e possibilitam uma ocupação humana permanente.
A relevância pedagógica permite que os mais novos tenham contato com a agricultura em modo tradicional. Ao mesmo tempo foram criados equipamentos de apoio, como o Centro Agrícola e Ambiental, onde funciona um pequeno laboratório coordenado por uma bióloga da Anime, que desenvolve atividades para os mais novos.
Existem ainda as casas de apoio aos hortelãos, a estufa, os viveiros de plantas autóctones, o parque de merendas, o pequeno anfiteatro numa zona de bosque, os percursos interpretativos, os observatórios de aves e de abelhas e a zona do pontão, o ex-líbris do parque, onde é obrigatório tirar uma fotografia, e observar várias aves que não eram vistas há vários anos.
Dos oito aos oitenta, o Parque Ecológico da Várzea está aberto todos os dias e a entrada é gratuita. Cada vez mais famílias escolhem este espaço para passeios, piqueniques ou outras atividades ligadas à Natureza, como o Festivárzea, festival dedicado à biodiversidade, que ocorre em junho, e as Ecoférias, programa de ocupação de tempos livres durante as pausas escolares.